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Dizem-me que com o tempo a dor passa

Dizem-me que com o tempo a dor passa.

Afirmam que a paixão enfraquece e que o esquecimento acabar por chegar um dia. Querem que eu acredite que me posso acostumar a viver sem a presença de quem decidiu partir. Até pode ser verdade e talvez me canse de chorar. Posso até deixar com o tempo de sonhar com todos os bons momentos que mantém esse amor vivo.

É certo que esse dia chegará, o dia em que a razão me vai vencer, mostrando-me que nada sobrou do que um dia foi um sonho a que dei asas, sem que nunca tenha chegado a voar.

Terei de renovar as minhas rotinas. Aprender a viver sem ter presente de quem se quis ausente. Irei procurar pontos de referência a que me vou agarrar para continuar a minha caminhada sem que tenha medo de voltar a cair.

Tudo isso é verdade. Essa é uma realidade que começo a aceitar, mas onde vou encaixar o amor que me grita cá dentro. Aquele amor que pergunta pelo corpo que tanto desejo. O que digo a este coração palerma que ainda adormece a sonhar com quem não deixou de amar e acorda a meio da noite procurando por ti numa cama que está fria e quase vazia. Como faço desaparecer o teu cheiro que me surpreende em cada canto da casa, como se tivesses tudo igual, como se nunca tivesses existido um final.

Já pensei em deixar de sonhar.

Só que nada sou sem os sonhos, sempre foram eles que me comandaram a vida. Até foi neles que te encontrei, foi nesses sonhos coloridos que construí um castelo para o amor que alimentei sozinha.

Portanto deixar de sonhar não iria servir para calar um coração que até entende a razão, mas que ainda está longe de silenciar este sentimento que ele gerou acreditando que seria o amor certo para uma vida feita de imperfeições.

O tempo talvez consiga derrubar todas as minhas ilusões, mas até lá será a dor que por aqui irá viver. Será a dor que se vai acomodar nas entranhas do sofrimento que ainda respira ao ritmo do lamento.

Só quando o tempo conseguir sufocar o som do sofrimento é que irei conseguir sorrir para o futuro que já chama por mim e a quem não consigo escutar, porque a música da razão continua a fazer eco nos meus ouvidos.

Angela Caboz

Olá sou a Ângela, nasci no Algarve (Tavira) em 1966 e desde cedo que me apaixonei pelo mundo das palavras. Sou técnica administrativa e aprendiz de escritora nas horas livres. Escrevo o que a Alma me dita e vivo o que coração me pede ... é assim que as palavras se soltam para colorir as páginas da vida!

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