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Sociedade

Desculpa pai, desculpa mãe

Desculpa mãe, desculpa pai.

Desculpa se choro muito, mas, às vezes, a dor é muito forte e eu preciso de chorar. Não é por mal. Não te quero chatear. Desculpa mãe, desculpa pai, se às vezes eu me porto mal. Sei que queres que me porte sempre bem, mas eu sou uma criança e, às vezes, preciso de me portar mal, para me ensinares o que devo e não devo fazer. No entanto, não precisas de me bater, pai. Se falares comigo com calma, eu vou entender.

Desculpa se às vezes desarrumo o meu quarto, mas eu sou criança e preciso de brincar. Preciso de brincar até para crescer. Contudo, se me pedires para arrumar tudo novamente sem me dares com o cinto, eu consigo arrumar.

Desculpa, se às vezes não gostas dos desenhos que eu faço. Sabes, mãe, eu ainda sou uma criança, mas faço estes desenhos como muito amor para depois te oferecer, porque eu amo-te muito, mesmo quando me queimas com a água ou com o cigarro. Acredito que não faças por mal. Estás chateada, porque me portei mal. Quando me dás murros e pontapés na cabeça, eu sei que estás só chateada, porque não fiz o que querias. Eu perdoou-te, mãe.

Quando fomos à praia mais a irmã, pensei que íamos comer gelados e brincar na areia mãe, mas afinal só nos querias afogar no mar.

Eu sei que não me queriam magoar.

Desculpa mãe, desculpa pai.

Há coisas que me transtornam muito e as mortes de crianças, sejam elas de que maneira for, é uma delas, mas pior é quando elas são mortas pelos próprios pais.

Eu não sou mãe. E sei que não existe nenhuma ligação igual à de ser mãe.

Termos o milagre de trazermos um ser humano à vida, é das coisas mais fantásticas da vida que devia ser vangloriado, dignificado. Mas há quem não mereça ser mãe, ser mulher e muito menos respirar.

Este texto tem a minha opinião pessoal, que é minha, não é para agradar ninguém e muito menos virem com lições de moral.

Fomos assolados nestes últimos dias, com a notícia da Valentina. Todos nós sabemos quem é a Valentina. 9 anos, morta pelo pai. Todos os televisores, jornais, publicações de Facebook, mostram o rosto de Valentina. Mostram o rosto de uma criança que deveria ter sido amada pelo pai. Mas não. Foi morta.

Não, não estou a querer vangloriar o meu texto através da história da valentina. Não. Quero apenas desabafar a revolta que isto me causa e lembrar as outras crianças que foram mortas às mãos dos pais.

Já percebemos que o ser humano é a pior raça que existe. Sim, nós conseguimos ser muito cruéis. Mas a este ponto? A ponto de matarmos o nosso próprio filho?!

Quantos casos que acontecem e nós nem sequer sabemos?

Decidi fazer uma pesquisa e vamos relembrar outras crianças que foram mortas pelos próprios pais.

Quem não conseguir ler mais, pode já parar por aqui.

A 12 de setembro de 2004 fomos assolados com a notícia de que Joana Cipriano de 12 anos, tinha sido desmembrada pela mãe e por um tio, que quiseram esconder a relação incestuosa.

O corpo nunca chegou a ser encontrado.

Desmembrar um corpo seja que por motivo for já é macabro que chegue, quanto mais o corpo da própria filha!

A 6 de maio de 2005, Vanessa Filipa de apenas 5 anos, foi vítima de maus tratos às mãos do pai e da avó. A pobre criança acabou por não conseguir resistir às queimaduras que lhe foram infligidas. O corpo foi atirado ao rio douro.

A 5 de setembro do mesmo ano ( 2005 ), ficámos completamente chocados com a noticia de que Daniel Carvalho de 5 anos, tinha sido espancado até à morte pelo padrasto, que também violou a criança! Daniel Carvalho era surdo mudo e tinha problemas de visão.

A 28 de maio de 2009 Maria João de 7 anos foi estrangulada com o cordão de um roupão do pai, que ainda teve a lata de enviar mensagens à mãe a relatar a “merda” que tinha feito.

A 29 de outubro de 2009, André Fernandes tinha 6 anos quando a mãe da criança saltou ao rio Douro com a criança ao colo. André Fernandes morreu mas a mãe sobreviveu e foi condenada a uma pena suspensa. Alguém que me pode explicar isto por favor?

A 5 de abril de 2010, David Cabral de 5 meses, sim leram bem, 5 meses, foi ESMURRADO E PONTAPEADO na cabeça pelo próprio pai, que afirma que fez o que fez por estar farto de ouvir a criança a chorar. Um ser humano indefeso, de 5 meses, pontapeado na cabeça. Isto não cabe na cabeça de ninguém.

A 29 de outubro do mesmo ano ( 2010 ) Tiago Monteiro de 2 anos foi atirado à água numa ribeira na Serra das Minas, em sintra pela mãe. Tentou inventar uma história, mas acabou por confessar.

A 23 de dezembro d e2012, os irmãos Henrique e Raphael, ambos com 11 meses e 3 anos, foram trancados no quarto, morrendo queimados. Porquê? A senhora a quem estas crianças chamavam de mãe, decidiu deitar fogo á casa onde viviam.

A 28 de janeiro de 2013, as crianças Ruben e David, foram entregues ao pai por decisão do tribunal. A mãe que não aceitou esta decisão decidiu envenenar os próprios filhos.

A 18 de agosto de 2014, outro bebé de 4 meses, a Leonor, meteram a criança literalmente em água a escaldar e ainda tiveram a “coragem” de meter sal nas feridas da pobre criança. Leonor, não resistiu às feridas.

A 8 de abril 2015 Henrique Barata de 5 meses foi morto pelo progenitor com uma facada no peito. Este ser, que nem respirar devia, ainda enviou um vídeo do crime à mãe.

A 15 de fevereiro de 2016, as irmãs Samira e Viviane com 19 meses e 4 anos, foram atiras ao mar na praia da Giribita, Caxias, pela própria mãe. Comunicação social declarou como um “ato tresloucado” da mãe que nunca explicou o motivo.

Falamos de crianças a quem chamaram de pai e mãe a monstros. Falamos de crianças que sempre sentiram que a culpa era deles, que tinham feito algo que justificasse o que os pais fizeram. Não há explicação. Nada explica estes atos. Alcool, drogas, insanidade mental, nada justifica.

Falamos de crianças que ainda assim viam estes monstros como “os meus pais”. E pediam desculpa. Pediam desculpa por chorarem, por serem quem eram.

Falamos de crianças que foram mortas a sangue frio. Isto é doloroso, eu sei, mas tem de ser falado. Temos de uma vez por todas de falar nisto.

Contactos – CNPDPCJ

Este link acima, é o link da COMISSÃO NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS E PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS. É aqui que deve ser feita a sinalização de crianças em risco. É esta a instituição que supostamente “protege” as crianças do nosso país.

Valentina tinha sido sinalizada em 2019.

As outras crianças também.

Eu pergunto: o que faz uma instituição, em que o objetivo é PROTEGER CRIANÇAS, que chega a fazer visitas ao domicílio e nada faz? Em que os processos são todos arquivados? Deixa que a morte seja o único destino destas crianças?

Será que CPCJ se institucionalizou de tal forma que a vida humana já nada significa?

Gostava de saber. A sério. Tantos peditórios que vejo a serem feitos para se ajudarem crianças em risco e para quê?

Para que as crianças continuem a morres aos braços daqueles que tinham o dever de as proteger.

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