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Portugal

Democracia Radical? Só se for de Esquerda!

Quando se fala de política, é necessário, infelizmente, que façamos, desde logo, uma declaração de intenções. Caso contrário, é provável que possamos ser achincalhados, ameaçados de morte ou condenados à disfunção eréctil eterna, em plena praça pública, vulgar e modernamente, conhecida como redes sociais.

Nesse âmbito, declaro, desde já e por minha honra, que sou apartidário e dobrador de papelinhos em dia de eleições já que não sou a favor da abstenção, pese embora, exista quem compare o voto em branco ao acto de não votar! Contudo, essa seria outra discussão que, pelo menos hoje, não vos trago aqui.

Muito se fala, hodiernamente, em democracia e no crescimento da extrema direita, como se fosse um bicho papão. Nos casos mais mediáticos, temos Marine Le Pen, em França, Donald Trump dos Estados Unidos da América ou o recém-eleito Jair Bolsonaro.

No caso destes dois últimos, que são presidentes dos respectivos países (e por mais que discordemos dos seus ideais), foram democraticamente eleitos. Reparem na importância do que aqui é dito: democraticamente eleitos.

Bem sei que virão os defensores da conspiração acusá-los das mais execráveis manipulações eleitorais, mas isso deixo para os especialistas nessa ciência que eu assumo humildemente não dominar.

Na verdade, os cidadãos, quer sejam dos países cujos líderes são acusados de fascismo, quer sejam de outros países, não aceitam a democracia tal e qual como ela é, a não ser que esta eleja líderes moderados ou de esquerda, que, como podemos constatar, é rica em exemplos de “enorme” democracia por todo o mundo. Assim de repente, lembro-me de Cuba, da Venezuela, da Coreia do Norte, da China, ou até mesmo da Síria.

Infelizmente, os cidadãos destes países estão “bem entregues”, pois vivem privados da sua liberdade, têm abomináveis condições de vida e uma enorme precariedade nas suas condições de trabalho, eufemismo utilizado por muitos, quando na verdade se pretendem referir à escravatura.

Então, o que é a democracia?

Bom, ao que parece trata-se de uma “inovação” em que o povo tem o direito de decidir, livremente, qual o líder que os governará. Ora, neste sistema, “por um voto se ganha e por um voto se perde”.

Veja-se o que aconteceu no Reino Unido a propósito do Brexit. O referendo teve um resultado de 52% para o “Sim” e de 48% para o “Não” em relação à saída da União Europeia. Significa isto que aqueles que defendem, pomposamente, a democracia se esquecem, frequentemente, que à luz deste sistema existe sempre uma maioria que subjuga a outra, ou seja, existe sempre uma imposição da vontade de uns sobre a vontade de outros.

Contudo, num país em que o povo pretende um regime “fascista”, a democracia parece perder o seu valor.

Claro que já tivemos a nossa dose, nomeadamente, nós, os europeus, que sofremos os horrores no nazismo.

Todavia, a ideologia de direita nunca desapareceu, nem tão pouco creio que a extrema direita esteja em crescimento. O que existe é, passados todos estes anos do fim da Segunda Grande Guerra, a capacidade dos cidadãos assumirem, novamente, ideologias que até aqui eram recebidas à pedrada. Por isso, importa dizer, de forma frontal, que não podemos aplaudir a democracia apenas quando ela é morna, já que queimar ou gelar sempre fez parte da sua génese.

Certo é que já não estávamos habituados e fomo-nos embalando abraçados a ritmos lentos, mas quer os brasileiros, quer os americanos são soberanos e não devemos ser nós, que estamos de fora, a colocar em causa o voto de cidadãos livres. Esta é e sempre foi a enorme perversão de uma democracia que pacificamente aceitámos.

Aos que andam pelas ruas de punho em riste, aos só ganham coragem para falar alto, quando estão em grupo, aos que vivem à custa dos trabalhadores fingindo defendê-los, aos anarquistas, aos republicanos, aos monárquicos e a todos os outros deixo-vos uma certeza: a democracia é o melhor sistema inventado até hoje.

E se se tratar de uma democracia radical? Sim, pode ser, mas só se for de esquerda!

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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