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Colorir com cor

Não imagino o mundo sem cor.

Recordo um trabalho que fiz para a disciplina de Materiais e Técnicas de Expressão Plástica, no secundário, que a professora comentou da seguinte forma: “tem muita cor é muito naif!”. Confesso que fiquei a olhar para o trabalho sem perceber bem o que ela queria dizer. Estaria a chamar-me ingénua? Infantil? Inexperiente? Depois olhei para ela e na minha frente passou a palete de cores com que a via vestida habitualmente: preto, bordeaux, cinzento e azul escuro… e pensei: “Coitada, não tem alegria nenhuma! Não sabe o que é a cor”. Como professora deveria ter-se  limitado a avaliar a técnica evitando os comentários pessoais.

Colorir com cor parece um pleonasmo, mas não é. Como tão bem demonstrou a minha professora na sua perspetiva cromática, sem conseguir ver mais além. Precisamos da cor para nos expressarmos, para alegrarmos a nossa vida, para darmos sentido às coisas. Existem tantas cores, para quê nos limitarmos a três ou quatro? E por que motivo usar cinzento e preto é politicamente mais correto que utilizar o amarelo e o laranja? A tristeza versus a felicidade? Um bom artista não pode ser um artista feliz e de bem com a vida?

A arte deve estar para além destes clichés, porque é a arte que define as tendências e está à frente do tempo, procurar balizá-la em critérios pessoais ou cromáticos é estar a aprisionar a imaginação numa redoma de conceitos pré-definidos, quando se pretende que a arte seja uma expressão individual livre de rótulos.

Não se pode também deixar de lado a simbologia das cores. Cada cor reflete um estado de espirito e tem um significado, não é à toa que cada um dos campos energéticos que compõem o nosso corpo – os chakras – têm uma cor associada assim como a nossa aura. Vestimo-nos diariamente com as cores que refletem o nosso estado de espirito, comemos alimentos que pela sua cor e textura nos irão dar determinados nutrientes e força anímica. Vivemos num mundo a cores e não a preto e branco. A natureza está cheia das mais variadas cores e sabemos que o cada uma delas nos transmite.

Por isso, tenho alguma dificuldade em compreender, porque nos devemos limitar a utilizar apenas determinadas cores? E porque achamos que umas são mais certas que outras? Para que serve o arco-íris se não for para utilizarmos as suas cores?

Photo by Paweł Czerwiński on Unsplash

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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