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Amizade (in)condicional

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A amizade é, a par do amor, considerada como um dos sentimentos basilares nas sociedades desde sempre e uma extensão dos nossos afetos para além dos que nos são oferecidos pelo sangue ou pelo coração. 

Infelizmente, somos frequentemente confrontados com notícias sobre a violência doméstica e sobre a violência no namoro.

No entanto, a violência acontece também nas relações de amizade e, não raras vezes, a vítima nem se apercebe desse facto nem da agressão a que está sujeita.

Há quem vá tentando convencer os outros de que o ciúme e a violência são despoletados pelo amor exacerbado que se sente pelo outro, e o outro, ingenuamente, acaba por sentir-se lisonjeado por ser merecedor de tal atenção.

Mas esta é a mais velha metodologia utilizada pelos agressores.

Fazem com que as vítimas acreditem que todos os abusos são levados a cabo pelo sentimento de amor e/ou de afeto. E, tal como nas relações amorosas, existem amigos que se acham no direito de cobrar atenção, de fazerem cenas de ciúmes, de escolher as amizades, de controlar todos os passos da pessoa com quem mantêm a relação de amizade e julgam-se até no direito de agredir quando as suas pretensões não são alcançadas. 

E no fim, dizem ao amigo que ele tem muita sorte por ter alguém assim na sua vida, que querem o melhor para ele e que estarão sempre ali para o proteger.

Não devemos acreditar, pois nenhuma relação abusiva é uma relação de afetos. Nenhuma relação constrangedora da vontade e da liberdade de cada um, é uma relação saudável.

E quanto mais tempo permanecermos nela, mais agrilhoados estaremos já que o abusador vê a nossa tolerância como uma legitimação dos seus atos. 

Contudo, o pior ainda está para vir. Quando a vítima decide dizer basta e terminar com os abusos, começa outro tipo de violência. Essa violência vai desde a perseguição pessoal e virtual, às agressões por mensagens, e-mails e todas e quaisquer vias de que o agressor disponha, alcançando o seu auge mais violento e pernicioso quando opta por difamar o ex-abusado por todas as vias possíveis, de forma a descredibilizá-lo, nomeadamente, perante aqueles que o respeitam. 

E, acreditem ou não, todo o agressor veste lágrimas verdadeiras e seca-as do seu próprio rosto com as suas asas de anjo. 

E como não acreditar no sofrimento de quem chora? Como não acreditar na culpa daquele que, sem ter forma de se defender, se mantém em silêncio? 

Vivemos numa sociedade abusiva, manipuladora, de campos minados prontos a estoirar-nos sobre dos pés. 

Já dizem os mais velhos que mais valem poucos, mas bons.

Por essa razão, não devemos tolerar nenhum tipo de abuso dos nossos amigos, por mais nossos amigos que sejam ou que finjam ser. Caso contrário não passaremos de marionetas nas mãos daqueles que fingem proteger-nos.

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Balthasar Sete-Sóis
Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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