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A (desigualDADE da) ReciprociDADE, verDADE e lealDADE

Que coisa esta de, na sua grande maioria, as palavras terminadas em “DADE”, para além do seu forte significado, serem quase todas preponderantes para a saúde de qualquer relação.

Reciprocidade, verdade e lealdade – Palavras estas tão reclamadas por nós! Porque dá a maturidade uma outra conotação (mais forte) a estas palavras?

À medida que crescemos vamos passando por relações de profundo desequilíbrio. E, regra geral, o elemento em desequilíbrio somos nós! Somos nós que reivindicamos, somos nós que sentimos que damos mais do que recebemos, somos nós que sentimos que nos faltam à verdade. É ou não é uma realidade que já dissemos inúmeras e inúmeras vezes “porque é que tenho de ser sempre eu?”. Celebre frase que tanto nos acompanha na vida…

Mas “porque carga de água” é que mesmo assim permanecemos em relações destas de (in)verdade? Porque é que escolhemos “assobiar para o lado”, fingir que aceitamos (mesmo que nos “mate” dia após dia) só porque preferimos inverter o velho ditado “antes mal acompanhado do que só”?

É do mais profundo desrespeito por nós quando aceitamos estar numa relação sem reciprocidade. Reciprocidade “não é obrigação, é conexão”. É tristíssimo assistir a pessoas que vivem anos, talvez uma vida sem fazer a menor ideia do que isto é. Possivelmente nunca viveram nem viverão este “amar e ser amado”. Por opção. Mas se soubessem como (p. ex.) a amizade é tão mas tão fundamental e essencial na vida…

Reciprocidade é um (tão) simples “dar e receber” em igual medida sem que nenhum se sinta lesado; é um simples “tu estares para mim como eu estou para ti” em tudo o que de uma relação faz parte. E, quando há reciprocidade e ligação, não há nada a temer. É, seguramente, uma relação de verdade e de lealdade. É uma relação de partilha, de responsabilidade e de honestidade.

Contudo, isto só é possível com a seleção natural da vida. A seleção das (pessoas) que, até então eram (equivocadamente) as nossas pessoas. É muito frequente em jovens colecionarmos amigos, conhecidos… aceitarmos tudo o que nos fazem em nome da integração e da aceitação. Para sermos parte integrante do grupo há que “ir em rebanho”. E quantas e quantas vezes sem ligação emocional alguma a grande parte das pessoas desse dito grupo. Mas temos de nos manter firmes e nunca demonstrar que, todos dias, a vontade que nos assola é a de fugir.

Pois! Só que não!!!

Com o avançar da idade e no pós-adolescência a vida inicia (e muito bem) a supressão, devagarinho, de quem pouco ou nada nos acrescenta. E a vida é tao incrível que nem damos por isso. E, subtilmente, voilá! Passaram-se décadas e todas essas pessoas são ténues lembranças do passado sem nada de grande interesse que as façam ser mais lembradas. Tempos estranhos em que aquelas pessoas foram consideradas fulcrais ou fundamentais.

Porém, com a vida a fazer o seu maravilhoso trabalho de nos rodear de amor, ficam junto a nós, apenas e só, aquelas (nossas pessoas) que nos deram, dão e darão, incontornavelmente, todo o seu amor e o seu tempo sem desigualdade. Algures entre os 30 e os 40 anos as nossas pessoas resumem-se a meia dúzia. Mas será, precisamente, essa meia dúzia que nos acompanhará, sem sombra de duvida, à nossa debilidade. A nossa ligação a elas é tão forte que não há ausência, incompatibilidade ou divergência que as afaste. E jamais será a distancia física capaz de destronar essa ligação emocional única. Jamais!

Sejamos exigentes nas relações! Sejamos frontais com o outro e saibamos dizer basta! Saibamos dizer não! Saibamos dizer assim não! Em todas elas! Se damos o máximo exijamos esse mesmo máximo do outro. Permanecer no “assim assim” é comunicarmos ao outro que vivermos uma relação em numero impar (de um para nada) é quanto basta.

Reciprocidade, verdade e lealdade devem ser as bandeiras fundamentais de toda e qualquer relação, imediatamente a seguir ao amor.

São totalmente falsas e inexistentes as relações que vivem do faz de conta, que vivem da unilateralidade e que vivem de frases como o “coração pode amar pelos dois” ou como do “talvez devagarinho passa voltar a aprender” (a amar).

Mas como ainda há quem ache que uma relação pode ser feita da desigualdade de afetos… Quem sabe (para elas) Talvez um dia, talvez

Ana Ferreira

Nasci nos anos 80 na minha maravilhosa cidade que é Lisboa. Cresci com o valor do trabalho muito presente na minha vida e é de lá que tiro grande parte da minha realização pessoal. Acredito que a vida só faz sentido se nos regermos por uma busca incessante pela felicidade. Acredito no amor como a base fundamental da vida. Sou obstinada e determinada e raramente desisto dos meus objetivos.

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