Mens sana in corpore sano

Agora que a luminosidade se vai esbatendo, aos poucos, dando lugar ao amarelecer das folhas das árvores, às nuvens escuras e primeiros pingos de chuva, é altura de regresso à quietude e introspeção.

Depois da azáfama das férias, dos dias longos e solarengos, dos mergulhos na praia ou no campo, eis-nos de volta. É o regresso às aulas, ao trabalho e tudo retorna ao seu ritmo habitual.

É como se o princípio do ano fosse marcado no mês de setembro e não janeiro, como estipulado. Numa época em que as doenças mentais afetam cada vez mais pessoas, incluindo os mais jovens, é propicio fazer um balanço com o objetivo de atingir um maior equilíbrio corpo-mente-emoções que esta época de recolhimento pode proporcionar.

A diminuição da luminosidade e as alterações de temperatura que o outono acarreta leva a que as pessoas tenham que se reajustar física e mentalmente às novas condições.

Culturalmente, esta estação está associada à introspeção e reflexão. Uma boa ocasião para o reencontro consigo próprio.

Por outro lado, as condições ambientais podem influenciar negativamente. A redução de exposição solar conduzem muitas vezes à tristeza e à melancolia. As próprias cores do outono e a ambiência envolvente podem conduzir à contemplação e até à criação poética. É imprescindível manter esse contato com a natureza se se quer sentir a sensação de bem-estar.

Parar, meditar, estabelecer permanentemente o diálogo consigo próprio e com o meio ambiente, beneficia-nos a todos os níveis e promove o autoconhecimento e o despertar de consciência para a nossa essência mais profunda.

Saber parar está ao nosso alcance, mas foi esquecido e hoje em dia essa atitude é vista como uma grande façanha, integrados que estamos numa sociedade agitada e consumista.

A melancolia e o tédio são estados de espírito proibitivos desde tenra idade. Somos produtos de quem nos quer subjugar aos interesses de alguns manipuladores que pretendem o poder e o dinheiro a todo o custo.

O outono traz-nos uma metáfora para a vida, quando as folhas caem e os dias ficam mais sombrios. Sugere-nos perdas ou encerramentos, ativando reflexões mais pesadas.

O transtorno afetivo sazonal é comum a certas pessoas, mas podemos observar a parte positiva desta mudança: a nossa própria transformação, buscando sempre o equilíbrio de corpo, mente e emocional.

A natureza é pródiga em lições no seu movimento imparável. Tudo se transforma. Devemos estar atentos a estas alterações e adotá-las como exemplos para a nossa evolução interior.

Saibamos reconhecer que fazemos parte desse Todo, uno e mutável.

Equilibrar o corpo e a mente, saber parar, aquietar e contemplar a beleza das pequenas coisas é o caminho.

Deixar as rotinas e observar-se como parte dessa natureza tão bela de ciclos mutáveis e tão perfeitos na sua simplicidade.

O outono aproxima-se.

Recolhamo-nos “a casa”!

Nota: Este artigo foi escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

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Comments 1
  1. Eu aprecio os equinócios. A entrega do outono fascina-me. É hora de se desprender das folhas, soltar, deixar ir. Buscar o equilíbrio, assim como os dias e as noites. A natureza é sábia, para tudo há o tempo certo.
    Parabéns pelo belo texto.

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