Os verdadeiros heróis e heroínas

Hoje escrevo sobre Heróis e Heroínas. Não os heróis da Marvel ou da Disney, ou de tantas outras produtoras de cinema, que nos fazem sonhar e acreditar no incrível e no maravilhoso, um mundo onde tudo é bonito e a alegria e o amor imperam sempre.

Hoje, penso nos Heróis da vida real, cuja coragem e determinação tem a dimensão de oceanos profundos e a força dos maiores ciclones do universo. A sua abnegação não se consegue descrever, não tem limites.

Aqueles a quem a vida atropela pelo caminho, amordaça ou acorrenta sem aviso nem apelo, atrofia e mata qualquer esperança de ser feliz, prendendo-os a um sofrimento que não os vence, mas que cansa.

Ouvi, no outro dia, a história de uma mãe que me tocou (devem existir muitas mais com toda a certeza). Aos nove anos de idade da sua filha, recebeu a pior das notícias: a sua menina estava com cancro e, mais tarde, teve que se amputar uma das pernas da menina. Que dolorosa decisão deve ter sido. Realmente, existem momentos e dores que não se poderão nunca explicar.

Foi notório, ao longo de toda a entrevista, a força daquela mãe Coragem, mas também a amargura na sua voz que naturalmente relatou o sucedido com o distanciamento de quase doze anos passados, e acima de tudo, de ter a sua filha com vida e de saúde ao seu lado. Ainda há histórias que acabam bem, não se poderá dizer exatamente com final feliz, ou se calhar até se pode, é tudo uma questão de perspetiva.

No entanto a mágoa e o sofrimento que esta família experienciaram, e em particular esta criança, que hoje é uma mulher, é digno de um verdadeiro Super Herói, não está ao alcance de todos, esta garra está no encalço apenas de alguns.

E por isso vos falo de Heróis, os autênticos que na dor e no sofrimento, se superam e ultrapassam as agonias e amarguras que a vida lhes coloca pela frente.

No relato desta experiência de vida que viveu toda a família, mas mãe e filha muito em particular, resta a leveza deste coração que superou a maldade com que se deparou no caminho, e a beleza daquela menina/mulher que sempre acreditou ser possível ultrapassar tudo e vencer a doença. Segundo a mãe, a sua filha acreditou até ao fim, e desde sempre disse que esta seria uma batalha para vencer. E venceu, a verdade é essa.

A mãe relatou com extrema lucidez e emoção tudo o que viveram, no rosto sempre a expressão de aceitação de que era um caminho a ser feito, na expressão que procurava sorrir, à medida em que ia fazendo o relato, mas cujos olhos escondiam uma profunda mágoa pela situação que conseguiu ultrapassar, ela e a família, muito graças à determinação e coragem daquele pequeno ser, aquela criança destemida que nunca considerou outra alternativa que não fosse: tudo vai passar e no fim vamos vencer.

E assim foi, como acontece com os verdadeiros Heróis, no fim, tudo ficou bem!

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