Olhares Indiscretos

Não foi por caso que escolhi como imagem ilustrativa o corpo de homem em vez do corpo de uma mulher. É mais fácil associarmos as questões do corpo às mulheres do que aos homens e quando falamos de assédio, piropos ou objetivação o corpo a mulher aparece sempre na primeira linha, na verdade é um tema transversal a ambos os sexos.

Ninguém nega que um homem ou uma mulher bonita e com um corpo bem trabalhado e delineado chama a atenção. Uma coisa é apreciar como quem vê uma obra de arte, outra é despejar piropos grosseiros que nos deixam desconfortáveis. Por muita autoestima que se tenha e segurança as observações impertinentes podem fazer-nos sentir incomodados. O nosso corpo é o nosso templo, assim como nós temos de respeitá-lo os outros deverão fazer o mesmo.

Ter beleza, robustez, agilidade e chamar à atenção porque fisicamente se é atraente não abre a porta para assobios ou piropos inconvenientes. Se os visados reagem ou não reagem podem continuar a ser alvo de reações menos simpáticas e ninguém tem de suportar comentários, quando não fez nada para recebê-los. Depois deste ponto, rapidamente se descamba para rótulos sobre estas pessoas, como a vaidade ou alguma superioridade.

Todas as pessoas gostam de ser elogiadas e apreciadas, seja pelas características mais visíveis seja por outras qualidades mais intrínsecas, isso é certo o que se tem debatido nos últimos tempos, tem a ver com os limites. Ninguém nos está a impedir de apreciar um homem ou uma mulher, temos de saber fazê-lo e não é seguramente com ordinarices que lá se vai. Mesmo que seja um estilo, não é aceitável!

Photo by Andre Taissin on Unsplash
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