(Re)começar

Recomeçar não é pegar no passado.

Recomeçar é pisar a primeira linha da meta para o futuro. Ser-se diferente, não por comparação, mas apenas pelo desejo de realização própria.

Não é começar de novo, é fazer algo de novo, algo que nunca fizemos. Olhar para tudo o que ficou para trás e ter a certeza de que foi tudo isso que nos fez ter a plenitude de alma que temos neste momento.

As nossas histórias não se apagam.

As nossas recordações não se riscam. As nossas vivências não são páginas de um livro que se possam facilmente rasgar, para fazê-las deixar de existir. Não são folhas de papel, para que as possamos queimar na fogueira do esquecimento.

Ninguém salta por cima do que já foi.

A nossa vida é uma muralha tão alta, mas tão alta que não temos pernas para a poder transpor. Por isso, de nada adianta fingir que o passado não aconteceu, quando sabemos que é por ele ter existido que queremos recomeçar. É por ele nos ter desiludido que queremos mudar.

Somos hoje a flor que ontem plantamos. A semente que lançamos para aquele terreno árido e que porventura não soubemos tratar para que hoje pudéssemos ser diferentes do que somos. Para que hoje não estivéssemos a pensar recomeçar toda a plantação.

Recomeçar é preciso.

Aliás é necessário recomeçar todos os dias. É preciso acordar com vontade de continuar e fazer sempre algo diferente. Recomeçar hoje o que amanhã nos fará ter esperança que o tempo ainda não acabou. Que o tempo é tão eterno como a nossa vontade de recomeçar a cada dia que passa.

Somos os “res” que não nos deixarão envelhecer. São eles a imagem de que estamos a evoluir e não a retroceder.

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