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Sociedade

Eurovisão 2021 – o rescaldo do preconceito

No dia 22 de Maio, à grande e à francesa (ou melhor: à holandesa), deu-se a grande final do Festival Eurovisão da Canção 2021. O evento ganhou o passaporte para Itália graças ao grupo de glam e hard rock Mäneskin com o tema “Zitti E Buoni”.

Mäneskin

A última vez que Itália ganhou este festival foi em 1990. A última vez que o género musical rock/ hard rock ganhou este evento foi em 2006, com Lordi, da Finlândia.

Com este parágrafo, apenas quero ressalvar que, inevitavelmente, havemos sempre de acabar no rock, fazendo jus ao grito de vitória de Damiano David, vocalista do grupo vencedor: “Rock and Roll never dies” (o Rock and Roll nunca morrerá).

Embora Portugal tivesse feito excelente figura com The Black Mamba e, naturalmente, estando eu a torcer por eles, não fiquei desagradada nem aborrecida com o resultado final do televoto, dando a conquista aos Mäneskin. Cá para nós e na minha opinião, já que Portugal não iria alcançar o triunfo, então que o pódio fosse para um bom rock italiano.

Contudo, é de lamentar e é um ultraje a polémica que houve em volta do suposto consumo de cocaína, ofuscando, assim, a vitória deles tendo apenas por base a velha história do sexo, drogas e rock and roll…

Quem julga com tanto conhecimento de causa e com toda a certeza de que estes estavam a consumir droga num festival daquela envergadura e com milhares de câmaras aguçadas em todas as perspectivas e direcções, e com apenas uma imagem momentânea que mostra o cantor a debruçar-se sobre a mesa devido a um copo que se partira, digo-vos e garanto-vos que ninguém, absolutamente ninguém, em seu pleno juízo e discernimento, faria algo semelhante, naquele local e naquele contexto, ao contrário da opinião de muitos.

Contudo, tanto quiseram fazer perpetuar esta polémica que o vocalista viu-se moralmente obrigado a submeter-se a um teste de despistagem de droga, de forma totalmente voluntária.

Independentemente de copos partidos e estilhaços no chão, espantem-se todos aqueles que bateram com o pé afirmando veemente que ele estaria a inalar cocaína pois a despistagem deu negativa, dando assim uma chapada de luva branca a alguns. Ironicamente, o título “Zitti e Buoni” faz valer em defesa deles: calados e comportados.

Garanto-vos, porém, que esta polémica e controvérsia nunca existiria se o grupo em causa tivesse outro estilo musical e isso, em pleno século XXI, é condenável e de uma pequenez atroz.

Para os moralmente superiores e politicamente correctos, vocês que conseguem ver, incrivelmente, caras e corações, tenho meia dúzia de factos para anotarem num post-it:

Nem todos os tatuados são bandidos, assim como nem todos os negros são ladrões. Nem todos os homossexuais têm SIDA, ou, vejam só, que nem todos os pobres são sujos. Nem todos aqueles com estudos superiores têm carácter e, incrivelmente, nem todos os rockeiros são drogados!

Parem de julgar o livro pela capa e, para os mais crentes, lembrem-se que há quem defenda que o julgamento a Deus pertence. Portanto, chega de endeusarem-se e acharem que podem apontar o dedo às pessoas pelo estilo de vida, pelo estilo de roupa ou pelo estilo de música. Este tema já tem barbas e estamos na iminência de que é mais emocionante ver um cubo de gelo a derreter-se que ouvir argumentos bacocos sobre julgamentos e ouvir promoções de preconceitos.

Procurar chifre em cabeça de cavalo relativamente a este tipo de implicância e (quase) perseguição é o equivalente a trocar seis por meia dúzia. E é por isso que passar pelo crivo da população é uma prova à paciência!

Mesmo durante uma pandemia mundial, a população consegue, ainda assim, julgar e sentenciar alguém, sem cerimónias, apenas pelo aspecto e gosto musical!

Ainda bem que nos tornaríamos pessoas melhores…

Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever, servindo-me muitas vezes como catarse. Sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico. Com o primeiro conto, meu primogénito, publicado na revista virtual Pulp Fiction, dois contos editados nas Antologias "À Margem da Sanidade" e "O Penhasco", outro em "Assassinas", prevalece sempre o mesmo género literário: policial, thriller, suspense e uma pitada de terror psicológico. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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