A falta que nos faz um sonho

Todos sonhamos. Nem todos nos lembramos dos nossos sonhos, mas não é raro o momento em que alguém comenta connosco: nem imaginas o sonho que tive hoje.

Dizem que os sonhos, quando contados, nem sempre são recordados na totalidade, que é como quem diz, quem conta um sonho acrescenta um ponto. Da mesma forma que se interroga sobre com o que é que os nossos animais sonham.

Quem tem um animal de estimação entende o quanto eles correm, pontapeiam o ar e falam sozinhos. Roncar. Roncar também faz parte.

Os sonhos podem ser muitos. Diversos. Repetidos. Muito deles tão intensos e loucos, que não existe outra alternativa senão saciar curiosidades e ler sobre eles.

Porque o mundo do sonho é tão antigo como a humanidade, ligação direta com a alma e com os grandes mistérios e, se bem interpretados, levam-nos ao autoconhecimento.

O antigo Egipto e a antiga Grécia trouxeram-nos a curiosidade e saber elevados a estatuto de imortalidade. Freud e Jung mergulharam em intensidade neste mundo, cada um à sua forma e maneira. O universo da simbologia ajuda-nos a entender o que nos surge em metáforas enquanto dormimos.

Dormir é verbo essencial à existência humana. Imprescindível à saúde e força motora de objetivos. Mas nem sempre ou, quase nunca, dormimos bem.

Dormimos mal porque estamos estafados, preocupados, porque comemos demais ou de menos, porque a mente não pára. Em situações extremas, podemos ter crises de ansiedade ou pânico antes e durante o sono.

Afinal, dormir e sonhar são essenciais ao equilíbrio e traz-nos paz, foco e força para quando as coisas se apresentam em desafios.

Os sonhos, por sua vez, têm múltiplas tarefas. Arrumam-nos as gavetas da memória, os intrincados detalhes que estão decompostos, trazem-nos mensagens e esclarecimentos.

Muitas vezes são palco de encontro e reencontro com os de cá e, diz-se, com os de lá. Poderão, em possibilidades, serem feitos de premonições.

Precisamos deles, mesmo se acordarmos em suores frios.

Para os compreendermos, há que viver bem os dias antes de dormirmos. Em paz connosco, ainda que perdidos em desafios. Ao mantermos rotinas saudáveis antes de dormir, temos meio caminho andado para mergulharmos entre mundos.

Escrevê-los todos os dias e, principalmente, ao acordarmos, ajuda-nos a percebê-los, descodificá-los e identificar padrões.

Depois, são todas as cartas na mesa: como nos sentimos ao sonharmos, o que nos trouxe, existem símbolos e arquétipos que possamos descodificar e há que manter olhos vivos aos que se repetem. Trazem mensagens importantes que não se devem ignorar.

O universo dos sonhos é um sonho. Será motivo de estudo e questionamento por muito tempo como todas as coisas que fazem parte de um grande mistério.

Se nos atrevermos a mergulhar nos nossos, quem sabe não nos ajudem a cumprir os sonhos que sonhamos acordados.

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