Auschwitz-Birbenau – A Porta da Morte

Sempre tive grande interesse pela História Mundial. Um dos períodos que sempre me interessou e impressionou, apesar de ser um dos mais negro (senão o mais negro) da História da Humanidade, foi o Holocausto, ocorrido durante a II Guerra Mundial.

A Alemanha nazi, chefiada pelo sádico ditador Adolfo Hitler, construiu vários campos de concentração e um campo de extermínio de judeus e prisioneiros de guerra nos territórios ocupados, com o intuito de exterminar determinadas raças e prevalecer a raça pura alemã, denominada raça Ariana.

O maior complexo de concentração e extermínio, Auschwitz-Birbenau, foi construído no sul da Polónia em 1940 e é infelizmente o mais conhecido pelas piores razões. Neste complexo de terror, foram assassinados milhares de homens, mulheres e crianças. Foram anos de tortura, colocados em câmaras de gás, sem serem alimentados, sem cuidados sanitários e médicos, ficando sem forças para reagir, apanhando várias doenças e sucumbindo à morte, sendo enterrados em valas comuns. Até ao dia em que o exército soviético libertou este campo de concentração, mostrando ao mundo a crueldade das atrocidades cometidas.

O dia 27 de Janeiro de 1945, foi o culminar das atrocidades nazis neste campo de extermínio, sendo transformado, dois anos depois, num museu, muito por insistência dos sobreviventes, que logo perceberam que tinham a obrigação moral de o preservar. Em 1979, a UNESCO declarou o Museu Auschwitz-Birkenau como Património da Humanidade e as Nações Unidas, em 2005, declararam que o dia 27 de Janeiro seria comemorado o “Dia Internacional da Lembrança do Holocausto”.

Todos estes aspectos impulsionaram-me a tentar descobrir mais sobre o Holocausto e colocar nas minhas prioridades uma visita ao Museu Auschwitz-Birkenau. Quando surgiu a oportunidade de o fazer, não a desperdicei. Fui pesquisando tudo aquilo que encontrava sobre o museu e respetivo campo de extermínio, para ficar mais preparado para o que fosse encontrar, porque sabia de antemão que não seria uma visita fácil, talvez a mais difícil da minha vida.

Ao passar pelo portão que transcreve a frase “Arbeit Macht Frei” (“O trabalho liberta”), ficamos com a sensação de que algo de muito doloroso se passou naqueles edifícios. Sabia que ia ser duro, pensava que vinha preparado, mas não, nada nos prepara para uma situação destas. O guia da visita ia-nos indicando com uma voz serena, mas dolorosa, o que se tinha passado para além deste portão. Foi o momento em que começamos a perceber que estávamos a ter uma lição de história, uma história que queríamos que nunca tivesse acontecido.

Após atravessarmos o portão, seguem-se vários edifícios, todos iguais, onde eram colocados os prisioneiros. Do lado de fora, separados por torres de controlo e arame farpado, situavam-se os edifícios dos oficiais nazis. À medida que vamos passando entre os edifícios, é impressionante a quantidade de depoimentos e documentação guardada pelos alemães, dando a sensação que pretendiam documentar ao mais ínfimo pormenor a aniquilação de um povo. Em todos os edifícios em que passávamos, encontrávamos indícios cada vez mais evidentes do massacre e da tortura a que aquelas pessoas estavam sujeitas.

Fizemos o caminho que todos os prisioneiros fizeram até chegar à câmara da morte. Vemos cabelos cortados pelos nazis, sapatos de crianças retirados às mesmas… achamos que estamos preparados para esta visita, mas a verdade é que precisamos de lá estar para fazermos esta introspeção. Chega-se ao fim da visita com um peso na alma, mas a entender o motivo pelo qual toda a gente deve visitar este local, um local que é a prova viva que o holocausto aconteceu, que foi real e assustador.

Sai em lágrimas deste local macabro, mas, ao mesmo tempo, inspirador. Pensei imenso nas frases mais escutadas e ditas, quando falamos do Holocausto, fazendo-nos desejar que isto nunca mais volte a acontecer ou que nunca nos esqueçamos do que se passou. Contudo, a hipocrisia do Homem é enorme, porque basta olhar para sociedade actual para chegar a conclusão que esquecemos com facilidade.

Temos que lembrar à humanidade aquilo que se passou no Holocausto e nada melhor do que visitar Auschwitz-Birkenau, para manter viva a memória de quem sofreu tamanhas atrocidades e para que estas nunca se voltem a repetir.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Enganados à primeira vista

Next Post

O cheiro do amor

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Cumprir Portugal

Ontem, na sua tomada de posse como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa citou Miguel Torga em…