Bentley Continental Supersports em análise

Não é todos os dias que a Bentley anuncia um modelo novo, portanto, esses dias são memoráveis. Apesar de só ser formalmente apresentado no Salão de Detroit, que começou dia 9 de Janeiro, a Bentley apresentou o novo Continental Supersports três dias antes, para deleite dos fãs da marca inglesa.

O actual Supersports, apresenta o mesmo motor W12 de 6 litros biturbo, mas em vez dos tradicionais 635 cavalos da versão Speed, apresenta 700 e um dos maiores binários do mundo automóvel com 1017 Newton/m. Tal deve-se a turbos e certos componentes do motor novos, um sistema de refrigeração novo e a um escape de alto rendimento em titânio. A caixa de velocidades continua a ser a mesma de 8 relações que aparece nos restantes modelos da gama Continental, mas nesta versão com componentes retirados do GT3-R, de modo a conseguir suportar todo o binário e potencia. Mantem-se também o mesmo sistema de tracção as 4 rodas com 60% da potencia a ir para as rodas traseiras. Devido a esta potencia toda, o Supersports tem uma velocidade máxima de 336 km/h e cumpre os 0-100 km/h em cerca de 3.4 segundos.

Com tanta velocidade e rapidez, os engenheiros também tiveram de mexer no chassis, na suspensão e nos travões. Reforçaram o chassis, rebaixaram e endureceram a suspensão, para uma melhor relação entre velocidade e conforto, e, para ajudar o Supersports a parar, equiparam-no com uns enormes travões de cerâmica (que com 41.9 cm são os maiores do mercado). O interior é Bentley, ou seja, pele madeira e metal até o olhar perder a vista. É mesmo preciso muito tempo para se encontrar alguma peça que seja de plástico.

O exterior levou também umas não tão subtis mudanças. As jantes de 21 polegadas têm um design agressivo, o para-choques frontal foi completamente redesenhado e da a sensação que nos desafia, e o capot apresenta agora duas saídas de ar em fibra de carbono. Os frisos laterais, que dantes eram cromados, agora são pretos, contribuindo ainda mais para o caracter desportivos do carro. Na traseira, é impossível escapar ao aileron, retirado do GT3-R, e ao difusor. No total, é um carro que deixa qualquer fã da Bentley a babar-se e a pensar se prefere ter dois rins ou um rim e um Bentley Continental Supersports.

Porém… pelo menos para mim, ficou aquém das expectativas. Mecanicamente brilhante, o problema é o resto. Apesar do escape em titânio, que poupa 5 kg, dos travões, que poupam 20 kg, e das jantes que poupam outros 20kg, o Supersports ainda pesa uns gordos 2280 kg, o Continental GT Speed, o modelo imediatamente abaixo, pesa 2320 kg. E agora perguntam-me vocês: então, de onde retiravas o resto do peso? Os bancos traseiros saem fora, os bancos frontais são substituídos por bacquets de carbono, substitui-se a madeira do interior por fibra de carbono e faço notar que estas ideias foram usadas no Supersports de 2009. E aposto que, se formos a ver com pouca atenção, ainda conseguimos substituir alguma parte da carroceria por fibra de carbono. E agora dizem-me vocês, caros leitores: então, mas isso ia fazer o preço do Supersports aumentar. Meus caros, é um Bentley, nunca ia ser barato.

O primeiro Supersports foi a Bentley a mostrar que, quando quer, se consegue afastar do luxo que caracteriza a marca e fazer um carro que entrega uma performance brilhante. Uma espécie de regressar às origens. O segundo, para mim, é um carro de compromisso, um meio termo entre a performance e o luxo. Tirando os modelos descapotáveis, este é o primeiro Bentley coupé que não comprava, com muita pena minha.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Elementar meu caro estilo

Next Post

Pablo Neruda: A política tem versos de poesia

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Aquele verão mágico

As férias de verão sempre marcaram os melhores episódios da minha infância e também da adolescência – um…