Muito ténis no Estoril

O Estoril Ténis aconteceu de 23 de Abril a 1 de Maio. Mas não é só de terra batida, “matche points” e essas coisas de tenistas que a competição é feita.

Durante nove dias tivemos alguns dos melhores tenistas do mundo (pelo menos é o que queremos acreditar), incluindo João Sousa. João Sousa é o melhor tenista português de sempre. Já esteve em algumas finais do ATP mas nunca conseguiu vencer.

O Estoril Open já acabou e, mais uma vez, nenhum português ganhou, mas muitas histórias devem ser contadas. AR_muitotenisnoestoril_2Tanto da última edição como das passadas. O torneio começou em 1990. Novak Djokovic (benfiquista ferrenho), Roger Federer e Rafael Nadal, por exemplo, passaram por cá e, mais tarde, seriam grandes campeões. Outro senhor que passou pela terra batida lusitana foi Guga, o brasileiro de quem toda a gente gostava, que apenas brilhou na competição de pares (1997). Depois, há histórias para todos os gostos, com o Tejo, pastéis de nata (dois tenistas aprenderam a confeccionar a típica iguaria lisboeta), Benfica e surf ao barulho.

Esta história remonta a 2005, em pleno Estoril Open, altura em que Frederico Gil sonhava como sonham os garotos de 21 anos. O céu era o limite. Se os desejos não tinham tecto, o mesmo não se pode dizer da paciência de Dmitry Tursunov. O tenista russo compunha o Top 20 ATP e não esperava certamente grandes dificuldades com o português, que tinha com ele a multidão nas bancadas do court. Gil chegou mesmo a pedir para ser acompanhado pelos seguranças para os balneários com receio de que o russo cumprisse a promessa.

Na edição de 2015, havia sete jogadores do Top 50, entre eles figuravam nomes interessantes como Feliciano López, Richard Gasquet o francês da esquerda elegante e Nick Kyrgios, que está de volta na edição deste ano. Esta história é sobre Feliciano, o espanhol bem-parecido, que começou a jogar ténis aos cinco anos com o pai e futuro treinador, também ele Feliciano. É louco pelo Real Madrid, mas nem foi o futebol a estar em destaque na sua visita em 2015. O espanhol foi antes experimentar surf com Marc López e alguns surfistas portugueses. Teve um excelente dia de surf mas uma péssima partida de ténis.

Stanislas Wawrinka, em 2013, fez um passeio pelo Tejo num veleiro chamado “Patrão Mor”. E ele foi o grande vencedor da edição desse ano.

AR_muitotenisnoestoril_1Gustavo Kuerten foi rei em Roland Garros, com três vitórias (1997, 2000, 2001). A primeira delas, com 20 anos, coincidiu com a sua vinda ao Estoril Open. O tenista de Florianopolis até começou bem em solo português, com uma vitória sobre o compatriota Fernando Meligeni (6-4, 6-2). A seguir, na segunda ronda, caiu aos pés do espanhol Francisco Clavet, que chegaria à final. O foco de Guga virou-se para a competição de pares, na qual jogava precisamente com Meligeni. A final e as meias foram um passeio no parque, expressão que sugere facilidade e que soa muito melhor em inglês, mas a vida não tinha sido assim tão fácil nos quartos-de-final. Culpa de quem? De uns filhos da terra: João Cunha e Silva e Nuno Marques, que até ganharam o primeiro set e obrigaram os brasileiros a jogarem a negra. Foi campeão em todos os campeonatos que realizou, menos o português.

Os futuros grandes tenistas passaram por cá. Thomas Muster foi bicampeão, em 1995 e 1996. Carlos Moyà e Marat Safin também pisaram a terra batida do Jamor, ambos seriam também número 1 do circuito. Rafael Nadal esteve por cá em 2004, mas teve de abandonar por lesão.

Com a mudança de organização e de palco para o Clube de Ténis do Estoril, o único torneio ATP disputado em Portugal parecia ter-se voltado para os tenistas franceses, mas, paulatinamente, os representantes de duas gerações do ténis espanhol conquistaram o seu lugar na final. O primeiro a fazê-lo foi Pablo Carreño Busta, oitavo pré-designado e 50º jogador mundial, que derrotou o francês Benoît Paire, 21º do ‘ranking’ e terceiro favorito, por duplo 6-3, em uma hora e 14 minutos. Depois foi Nicolas Almagro a provocar novo grande desgosto à organização, que promoveu o polémico Kyrgios como uma das grandes figuras do torneio, ao impor-se por 6-3 e 7-5 ao segundo cabeça de série, também em uma hora e 14 minutos. O espanhol, 71º do ‘ranking’, foi o verdadeiro pesadelo promocional do torneio português, uma vez que eliminou os portugueses Frederico Silva e João Sousa e agora o finalista de 2015.

O Estoril é o salão de festas dos espanhóis e este ano não foi excepção e Almagro venceu a edição deste ano. Este era um dos tenistas por quem as pessoas davam menos, mas conseguiu chegar à final, uma final 100% espanhola. A primeira desde 2001.Terra prometida para os tenistas espanhóis desde há várias gerações – há 11 vencedores do país vizinho em 26 edições.

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