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Yoga

As coisas acontecem no seu tempo, pelo que professo a crença de que não terá vindo mais cedo porque eu não estaria apta para o receber. Acredito mesmo que tive de espremer a vida até estar pronta para o Yoga e olhá-lo no lugar certo. A dualidade entre o lamento de não ter acontecido antes e a satisfação por estar agora nesta jornada esbate-se perante essa minha convicção de que aconteceu na altura precisa – quando tinha de ser. Importa sublinhar este aspecto porque a ansiedade, essa propensão para controlar e contornar os acontecimentos, essa fuga para fora do presente tem vindo a ser domada e é, para mim, um propósito de uma vida. Devagar, devagarinho, muito subtilmente, vou fugindo menos. Mas não acredito em milagres: assumo um compromisso sério, sabendo que importa fazer a minha parte, constante e diária, para que possa ir, aos poucos, escapando cada vez menos, de mim, da minha paz, da minha serenidade. O trabalho nunca está acabado. O termo prática lembra isso mesmo: praticar, praticar, praticar – um convite constante e independente dos resultados. A disciplina que nos pode levar a um lugar melhor.

Estou convencida de que estudei Filosofia porque andava à procura de respostas, perseguindo alguma coisa que não me era dada na realidade objectiva e diáfana e sem a qual persistia a sensação de um buraco por preencher. Sempre me questionei muito, lidando com uma insatisfação constante, procurando um sentido para a vida, as coisas que acontecem, o Mundo, e considero agora que essa permanente busca não me permitia estar bem em lado nenhum, projectando-me invariavelmente numa realidade futura que me consumia o agora. Acredito que tive de passar por isso, tive de fazer esse percurso. Agora consigo perceber o que um querido professor me disse quando, na faculdade, o questionei sobre a prática de yoga:

– A Joana deve cansar-se primeiro.

Já na altura esta resposta fez muito sentido. Hoje faz ainda mais.

A minha vida estava numa fase inicial, em que temos muita energia e, no meu caso, essa sede latente que me colocava numa busca ávida, como se estivesse permanentemente em fuga para a frente, não sabendo propriamente o que procurava, sabendo somente que faltava alguma coisa que eu queria descobrir. Esse professor leccionava nesse ano Filosofia e Pensamento Oriental, que sempre me interessou, era conhecedor da prática de Yoga e Meditação e, apesar de saber do meu interesse pela temática, porventura terá percebido que esse interesse ainda se encontrava no domínio intelectual, por um lado, e de uma curiosidade inconsequente, por outro.

Metaforicamente falando, eu estaria na fase da criança, precisando de passar por aquele estágio introdutório de correr vida para estar pronta para receber o que estava por vir. Compreendendo agora que a componente física da prática funciona como um instrumento que prepara o corpo para atingir uma certa predisposição da mente, reconheço que essa foi a melhor porta de entrada para mim.

Ir ao tapete, deparar-me com o desafio físico, e resguardar-me na minha respiração, procurar estabilidade no desequilíbrio, encontrar serenidade no desconforto, não querer fugir da luta dos opostos impressos em tantas posturas, é fundamental.  Agora estou consciente do propósito daquela prática, estou desperta para a necessidade de levar aqueles ensinamentos para a vida, estou ciente de que a prática física não se esgota a si própria, sendo antes uma ferramenta valiosa – como se de podar a terra se tratasse. É rara a vez que vá ao tapete e não seja relembrada da importância de não perder o meu centro no meio das inúmeras solicitações que nos puxam e remexem o âmago.

Colho os benefícios da prática física; vejo no meu exemplo como os ensinamentos que me são dados em cima do tapete se colam para o resto do dia, aos poucos; O tapete tem sido tão generoso comigo (apesar dos sucessivos desafios e desconfortos) que esta parte física do Yoga, a mais generalizada e conhecida, me é muito cara. O corpo ajuda-me a pôr a mente no sítio. Vejo o Yoga como uma prática para a saúde integral – do corpo, da mente e da alma – e os asanas (posturas físicas) podem ser remédio.

O meu encontro com o Yoga foi doce,  não precisei de sair de mim para entrar no Yoga. Decerto que ele começou a operar as suas mudanças em mim, mas estas actuaram como expansão, em vez de opressão ou condicionamento forçado. É aqui que quero estar.

As solicitações do dia a dia, as demandas do quotidiano levam-nos muitas vezes para longe de nós, haja yoga para nos levar ao lugar! Esta prática traz-me de volta a mim, de volta a casa, promovendo a reunião comigo própria e com um Todo que me ultrapassa e engloba, com uma dimensão que transcende o ego e a individualidade. Sou mais eu por ser menos Eu.

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