Em tempos de crise: o novo consumidor

Em contextos de crise económico-financeira, há quem se preocupe com as consequências nefastas que daí advém. É verdade que vivenciamos tempos de incerteza, de risco e de medo, mas poucos são os que olham para além deste lado mais obscuro. Seria utópico até pensar no lado positivo da crise, mas há quem o faça.  

John Gerzema afasta-nos das consequências avassaladoras desta pequena palavra – Crise –, que coloca os nossos corações a palpitar de tanta ansiedade. Remete-nos sim para o lado positivo, identificando quatro mudanças culturais que afectam o consumidor. Afinal, quem diria que da crise nasce a oportunidade?

Há quem diga que para enfrentar a crise é necessário alterar rumos e testar limites. Porém, mais do que ultrapassar todas as adversidades que a crise impôs, é tempo de reflectir, pensando no que contribuiu para tal estado.

Por mais que digam que não é bem assim, sempre vivemos acima das nossas possibilidades. Recorremos ao crédito e mesmo quando não precisávamos de nada, comprávamos mais alguma coisa. É caso para dizer que, se o vizinho tinha, nós também teríamos de ter e melhor. Criámos o consumo irresponsável. Mesmo assim, temos todos os meios para mudar este cenário e contribuir para o recuperar da crise.

Chegou a era do novo consumidor. Não basta adoptar uma atitude mais responsável, é necessário aproveitar a oportunidade para a mudança e, assim, abstrair deste buraco negro, que é a crise. A ansiedade tornou-se em acção e, hoje mais do que nunca, o comportamento do consumidor tem vindo a sofrer significativas alterações. Mais conscientes e responsáveis, os consumidores começam por exigir uma maior transparência e clareza e, por isso, estão atentos à cultura das empresas. Como resultado, estas precisam de repensar valores.

Além disso, os consumidores esperam extrair valor de cada compra que fazem – modo de vida durável – e estão conscientes que não se trata de uma maratona. Gerzema remete-nos ainda para o “consumo déclassé”, que incute, na mente do consumidor, que gastar dinheiro frivolamente fá-lo parecer meio fora de moda.

Todavia, é o consumismo corporativo que tem ganho pontos. Mais uma vez se comprova que, em tempos difíceis, o espírito de entreajuda é fundamental.

Posto isto, o lado bom da vida é poder observar através de diversos ângulos. Quando ouvir a palavra crise, pense no lado positivo e lembre-se que da crise pode surgir a oportunidade.

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