Uma Nova Formula 1

O campeonato de Formula 1 de 2014 acabou sem grandes surpresas. Lewis Hamilton ganhou o título de Campeão e a Mercedes levou para casa o título de Construtores. Entretanto, já se prepara o Campeonato de 2015, mas há que repensar algumas coisas na modalidade-rainha do Desporto Automóvel.

Apesar de haver normas rígidas a ditarem a dimensão, o peso, a altura, os pneus usados, o tamanho do motor e a caixa de velocidades do monolugar, é necessário parar com esta loucura. Neste momento, os monolugares são mais computadores com rodas do que propriamente carros. É preciso olhar para trás, para os Grandes Prémios e Campeonatos das décadas passadas, numa altura onde os carros eram todos diferentes, mas, mesmo assim, quem ganhava era o melhor piloto. Não o piloto com o carro mais rápido.

O que estou a sugerir é apenas uma junção do passado e do presente. Dêem liberdade às marcas para fazerem o que quiserem no departamento dos motores. Pouco ou nada me interessa se o motor da Ferrari é 100 gramas mais leve do que o da Mercedes, ou se o monolugar da Caterham, em seco, tem mais 83 gramas que o da Lotus. Isto são ninharias e é disto que a Formula 1 vive neste momento, infelizmente. Dêem liberdade às marcas para desenvolverem o monolugar que quiserem, com os apêndices aerodinâmicos que quiserem. Deixem as marcas serem loucas.

Mas alto! A par disto é preciso manter os altos padrões de segurança que a modalidade pratica. Os acidentes vão acontecer. É um dado adquirido. No entanto, podemos evita-los. Os acidentes de Adrian Sutil e de Jules Bianchi, no Grande Premio do Japão, podiam ter sido evitados, se a corrida não se tivesse realizado durante a tempestade que precedia o Tufão Phanfone. Desde a morte de Senna (1994), que a Formula 1 não sofre uma fatalidade e é um marco que ninguém quer ver quebrado.

Outra coisa que precisa de mudar na Formula 1 é o espectáculo. Eu lembro-me de ver os carros a rasparem no chão, quando passavam de mudança, lembro-me do barulho ensurdecedor dos V12 a rugirem a 12000 rotações por minuto, a cuspirem labaredas pelos escapes, e lembro-me dos pilotos a darem tudo por tudo, concentrando-se apenas na corrida em que participavam. Precisamos de trazer esta época de volta. Isto era a Formula 1. Ver as lutas entre pilotos na televisão era entusiasmante e vibrante. Hoje em dia, é tudo muito racional, muito poupado, muito pouco. Dezanove Grandes Prémios por ano são muito poucos. Há espaço, para não dizer tempo, para mais Grandes Prémios. Tragam de volta os clássicos. O Grande Prémio de San Marino, ou o Grande Prémio Alemão no Nordschleife.

Porém, nem tudo é mau na Formula 1 actual. Há certos aspectos que devem ser mantidos. Por exemplo, a inexistência de reabastecimentos, um número limite de motores e de caixas. Tirando isso, é deitar tudo fora e recomeçar de novo.

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