Bugatti, o carro mais rápido do que o Flash

Corria o ano de 1998. O Grupo Volkswagen tinha comprado a Bugatti. Reza a lenda que o director do Grupo convocou os engenheiros da Bugatti para uma reunião, entrou e disse: “Vamos criar um carro que tenha mais de mil cavalos de potência, que ultrapasse os 400 km/h e que deixe duas marcas de 25 metros no alcatrão, quando arranca a fundo.” Virou costas e foi-se embora. Até o engenheiro-chefe da Bugatti lhes perguntar, 5 meses mais tarde, como ia o projecto os engenheiros achavam que era uma brincadeira.

O que foi pedido aos engenheiros era impossível. Implicava desafiar todas as leis da física e efectivamente atirar pela janela o bom senso. Não é de estranhar, portanto, que o desenvolvimento do primeiro protótipo tenha demorado 5 anos. Primeiro, foi a potência. Nunca se tinha atingindo mil cavalos num carro de estrada. Ao fim de alguns largos meses de desenvolvimento, os engenheiros conseguiram atingir os mil e um cavalos de potência, à custa de um enorme motor com 8 litros, 16 cilindros e 4 turbos. No entanto, não foram meses sem problemas. Os protótipos iniciais do motor ardiam, devido às altas temperaturas. Depois de terem conseguido estabilizar a temperatura, passaram para a caixa de velocidades, que, regra geral, não aguentava a potência, nem o binário e rebentava. Através de tentativa e erro, os engenheiros desenvolveram uma caixa de dupla embraiagem com 7 relações.

Os problemas iam surgindo uns atrás dos outros. Não havia chassis fortes o suficiente para aguentarem o binário, os designs para a carroçaria que eram apresentados não chegavam sequer perto dos 400 km/h e não havia pneus que aguentassem essas velocidades. A solução da Bugatti foi simples: criou o próprio chassis, um design extremamente aerodinâmico e uns pneus feitos por encomenda. Quando juntaram a mecânica com a carroçaria, surgiu outro problema: o motor ainda aquecia demais e o fogo destruía os protótipos. A resposta da Bugatti foi simples. 10 (sim 10) radiadores: 3 para os intercoolers, outros 3 para o motor, 1 para o ar condicionado, 1 para o líquido da transmissão, 1 para o líquido do diferencial e, finalmente, 1 para o óleo do motor.

No entanto, parar um objecto que vá a velocidades superiores a 400 km/h não é tarefa fácil. Os travões convencionais literalmente desfaziam-se. A Bugatti decide, então, dotar o Veyron com travões compósitos, que não sofrem tanto desgaste como os convencionais, e de um travão de ar.

Quando é apresentado, no Targa Florio de 2006, quebra o primeiro recorde. Torna-se o carro de produção mais caro de sempre com o preço de 1.000.000 de euros. Ao mesmo tempo, é certificado em como atinge os 408 km/h. Contudo, havia quem duvidasse. Um carro com 1900kg não devia ser capaz de atingir essas velocidades. A Bugatti responde pondo ao volante do carro James May, um dos apresentadores do programa de automóveis inglês Top Gear. O resultado foram 407.5km/h, esmagando qualquer duvida que houvesse.

Para a Bugatti não era suficiente. Em 2010, choca o mundo automóvel ao apresentar o Veyron Supersports. Uma versão melhorada do Veyron, capaz de atingir os 431 km/h. O Veyron original ganhou o premio Car of the Decade (2000-2009) e o Best Car Driven All Year, em 2005, ambos do Top Gear. É considerado por muitos como sendo o melhor carro mundo.

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