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Uma Edição limitada…

de pessoas especiais!

Não é apenas porque nasci neste espaço temporal, mas de facto os nascidos entre os anos 50 e 80 do século passado, nasceram num tempo que foi responsável por ver desabrochar e ver crescer aquela que foi uma geração de pessoas muito especiais.

Atrever-me-ia mesmo a afirmar que os nascidos neste período pertencem a uma edição limitada de seres humanos, em face das circunstâncias e do espaço temporal em que lhes foi permitido nascer e crescer, e no fundo o que fez de nós seres especiais, importa dizer isso ao mundo.

É bem verdade que o tempo e as circunstâncias foram os nossos maiores aliados, e fizeram de nós esta geração tão especial, afinal quando éramos crianças podíamos andar de patins sem ter de usar joelheiras e/ou capacetes. As manchas negras que por vezes nos apareciam nos joelhos ou nos tornozelos, ou em qualquer outra parte do corpo, não eram fruto de violência, eram apenas o resultado dos nossos processos de aprendizagem, e de quedas e maus jeitos que dávamos quer fosse a aprender a andar de bicicleta, nas corridas com os amigos, ou em milhentas outras brincadeiras.

Uma bênção gigante que esta geração teve, porque podíamos divertir-nos na rua sem a preocupação dos raptos, brincávamos na inocência pura de quem é criança e não consegue perceber maldade em nada, provavelmente porque não estava também tão propagado o medo na sociedade.

O que é facto é que não tínhamos medo de brincar na rua com os amigos, muitas vezes até escurecer, e os nossos pais também não tinham receios dessa natureza, sabiam que estávamos bem.

Não tínhamos qualquer problema em partilhar os nossos brinquedos com os amigos e até de os emprestar para que os levassem para casa e depois nos devolvessem, esta prática perdeu-se no tempo, a verdadeira partilha dos brinquedos e a devolução ao dono no fim do tempo combinado para levar o brinquedo emprestado. Não havia necessidade de portas de proteção blindadas em nossas casas, nem os medicamentos careciam de tampas de proteção de segurança para crianças.

Brincar de pé descalço não fazia mal aos pés, para além de lhes conferir alguma sujidade, era apenas pura brincadeira e contacto real com a terra… nem sequer havia a necessidade de suplementos alimentares para aumento do apetite, quantos de nós criamos os nossos próprios brinquedos como os aviões ou os barcos de papel. E que beleza e simplicidade tinham estes inocentes brinquedos.

É verdade que não existiam portáteis, nem computadores e menos ainda smartphones, mas o que é um facto também é que tínhamos verdadeiros amigos, reais companheiros das brincadeiras e tantas vezes também dos disparates que apenas nas nossas mentes passavam, muitos desses amigos que guardamos para a vida. Quantas histórias para contar.

Não precisávamos de avisar os amigos quando os queríamos visitar, aparecíamos e pronto, não havia essa necessidade, era instituído que se podia aparecer na casa dos amigos para brincar. Avisar? Não era necessário, nós considerávamo-nos parte da família dos nossos amigos, afinal como diz o povo: “os amigos são a família que escolhemos”, certo?

Contudo, também é verdade que aprendemos a ser responsáveis pelas nossas ações, e sobretudo preparados para assumir as consequências de quando errávamos ou estávamos menos bem em determinada situação.

A verdade é que tínhamos a liberdade da responsabilidade, e as oportunidades, que fizeram de nós pessoas de uma grande alma.

Diria mais, nós somos provavelmente a última geração que escutou os seus pais e que se permite ouvir também os seus filhos.

Que não nos esqueçamos de dizer mais vezes “obrigada” e “gosto de ti” que a nossa vida reflita a bênção que tivemos por ter nascido neste tempo em que ainda era tão bonito ser criança, e que o nosso exemplo sirva para ajudar a construir um mundo melhor, mais sublime e mais generoso, tal e qual como a nossa infância foi, harmoniosa e pura.

Somos uma geração incomparável que teve à sua disposição as melhores oportunidades temporais dos últimos anos, e crescemos antes destes tempos de medo, receios e desconfianças, em suma destes tempos que agora vivemos.

Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra, construindo momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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