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Transnístria – Diz que é uma espécie de país

Trans…quê? É provável, que para muitos seja a primeira vez que leem este nome, a historia desta região é muito desconhecida no ocidente, mas nem por isso deixa de ser interessante!

Entalada entre as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Moldávia e a Ucrânia, com a capital em Tiraspol, a Transnístria tem tudo para ser um país, mas não é! Possui território, cultura e história assim como moeda própria, mas nunca cortaram o cordão umbilical com a mãe russa, o amor que existe pelos soviéticos é de tal forma que tropeçamos com bandeiras da Rússia por todo o lado. Neste pais não reconhecido sente-se uma forte presença militar, como que em constante alerta e prontos a começar uma guerra.

Também conhecida como República Moldava da Pridnestróvia ou Transdniéstria (além do rio Dniestre, embora em boa verdade seja atravessado por ele), auxiliada e legitimada pelos russos, a Transnístria, declarou unilateralmente a sua independência dia 2 de Setembro de 1990. Dois meses depois surgiu a Guerra Civil, uma série de conflitos armados entre a Guarda da República da Transnístria, os cossacos (apoiados pelos russos) e as forças militares e policiais da Moldávia. O cessar-fogo só foi declarado em 21 de julho de 1992.

Desde então que o tema congelou, as entidades internacionais fecham os olhos e a região mantém-se independente com o auxílio de forças russas. O termo Transnístria não é bem aceite pelos locais, pois provem do romeno, e desde a independência que estes “moldavos”, renunciam a tudo o que é língua romena e veneram tudo o que é língua russa. Se houvesse caminho geográfico para a Rússia ou a região fosse tão interessante como a Crimeia.. tudo poderia ser diferente.

Tradicionalmente, a 2 de Setembro, realizam-se uma série de eventos dedicados ao dia da republica, de destacar o desfile militar realizado em Tiraspol em homenagem ao aniversário da fundação de Pridnestrovie. Um símbolo do triunfo e uma demonstração do desejo dos Pridnestrovianos que é viver num país livre e reconhecido.

Não é fácil ser turista nesta região. Senão vejamos, na fronteira da Moldávia para a Transnístria, há que solicitar à guarda (não falam inglês) um visto turístico temporário, após analise do passaporte e declaração de intenções. Quem sai de Chisinau, precisa levar Euros ou Dólares, o Leu moldavo de nada vale na Transnístria, já o dólar ou o euro podem ser trocados em rublos transnítrios, a moeda oficial e praticamente a única aceite neste território, com exceção de alguns serviços. Existe um monopólio da rede móvel, ou seja, de pouco serve levar o seu telemóvel xpto para esta região. Para aceder à rede móvel, teremos de ter um SIM da Transnístria, e o mais caricato é que esses SIM só vêm nos telemóveis comprados no território, e vêm literalmente soldados ao mesmo, de forma a impedir qualquer tipo de concorrência.

Ao descobrir a região desperta-nos a curiosidade, a brand “Sheriff” é uma constante, por todo o lado! Além de ser um canal de TV, uma cadeia de supermercados, postos de combustível, editoras, construtoras, revendedores automóveis, uma agência de publicidade, fábricas de bebidas e de pão, a tal rede de telefone móvel… Esta empresa criada nos anos 90 por dois membros dos serviços especiais, tem vindo a aumentar e diversificar a sua carteira e volume de negócios nesta pobre região, no fundo, praticamente todos os investimentos privados de lucro considerável, pertencem a esta empresa.

Um monopólio que alegadamente potenciará alguma promiscuidade entre o futebol e o comercio e outros serviços. Nesta pobre região, o Fotbal Club Sheriff é o clube de futebol da cidade de Tiraspol, joga no Campeonato Moldavo, e curiosamente domina desde o ano 2000 que conquistou 17 campeonatos. Jogam no seu recente estádio de 200 milhões de dólares…

Caso para dizer, que é fácil identificar o “Sheriff” que manda na região!

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Ricardo Manuel Santos

Mais que um profissional IT, sou um colecionador de experiências e viagens. Atento à relação entre o progresso tecnológico e inerente evolução social. Critico e opinativo por natureza, procuro sair da minha zona de conforto para evoluir, acredito que a única constante da vida é a mudança. De caligrafia torta e ideias rasuradas vou continuando a escrever o meu próprio destino! Visto-me de paixão e faço o hoje valer a pena, pois tudo é viver. Simples assim.

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