+1 202 555 0180

Have a question, comment, or concern? Our dedicated team of experts is ready to hear and assist you. Reach us through our social media, phone, or live chat.

Que jovens são estes?

São a primeira geração verdadeiramente globalizada. Frequentemente apelidados, conforme os estudiosos, de geração Y, geração Millenium, geração Internet e até de geração ioiô, os jovens de hoje cresceram rodeados de tecnologia. Habituaram-se a ter acesso à informação, com apenas um “clique”. São consumidores exigentes, ávidos por inovações. Têm uma visão do mundo diferente. Preocupam-se com o meio ambiente e as causas sociais. Contudo, estão a tornar-se adultos, numa época de enormes transformações sociais, políticas e económicas. Vivem na incerteza. Não pensam muito no futuro. Preferem não fazer grandes planos. As expectativas são praticamente nulas. Vivem o momento.

Nasceram num berço de ouro. No melhor momento económico da história de Portugal. Ouviram falar sobre a Expo 98, viveram o Euro 2004, não conheceram praticamente outra moeda a não ser o Euro. Sentiram os benefícios dos fundos comunitários e do crédito fácil. Agora, enfrentam o caos da recessão económica e do colapso do sistema financeiro.

Questionam-se sobre a utilidade dos seus diplomas. Afinal, estamos diante da geração mais bem formada de sempre, que enfrenta um mercado de trabalho débil, que só lhes oferece precariedade. Obriga-os a pular de emprego em emprego. A estabilidade não é uma palavra que faça parte do dicionário das suas vidas.

Ganham menos do que os jovens de há dez anos. Sentem-se perdidos e muitos lançam-se na aventura da emigração. Os que ficam, não conseguem sair de baixo das asas dos pais. Um relatório internacional divulgado recentemente, aponta a percentagem de 55%. Podem até ter um emprego, mas não têm garantias para o futuro. A isto junta-se a dificuldade de acesso ao crédito, que impede a compra de casa própria, para os que até têm algumas condições para fazê-lo.

É uma geração que vive na angústia, na incerteza do presente. Muitos admitem não contar com um emprego a médio prazo, quanto mais uma carreira sólida. A reforma? Uma ilusão. Sem rumo, adiam o casamento e a paternidade. Sentem que precisam de ter estabilidade financeira para dar estes passos. Estabilidade que não têm.

Distantes da política, preferem mostrar o seu descontentamento nas ruas e não nas urnas. Não se identificam com os mecanismos convencionais de fazer política em Portugal e muito menos com os partidos e os políticos. Na história mais recente da democracia do nosso país, poucas foram as manifestações que juntaram tantas vozes pela mesma causa como o movimento “Que se Lixe a Troika”. As taxas de abstenção são também espelho desse distanciamento. No último acto eleitoral nacional, as Autárquicas, 47,4% dos cidadãos não votaram. O lema é: “ de que adianta votar, se eles são todos iguais?”.

Sobrevivem como podem. Desenrascam-se. Lançam projectos novos e irreverentes. Aproveitam o presente, entre empregos mal pagos, precários, ou até sem eles. São sonhadores. A maioria prefere fazer o que lhes faz sentir feliz. Afinal, parece que Este País não é para Jovens, como diz o título do livro dos jornalistas José Manuel Fernandes e Helena Matos, com a diferença de que actual geração encara desafios que a maioria das pessoas vivas nunca viram.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Os Gatos Não Têm Vertigens

Next Post

Falar de cor

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Read next

Entre nós e os outros

Cor, sexo, altura, religião, crenças, cultura: são muitos os factores que distinguem os indivíduos de todo o…

karma

O despertador tocou, mas não ouviste. Estás cansado, stressado e adormeceste mais uns minutos. Levantaste-te num…

Um admirável mundo novo

Esta semana, puxou-me a atenção a notícia sobre a primeira-ministra finlandesa, por dois aspectos que merecem a…

Ensino On-line

O ensino on-line está de volta. Nada que nos surpreenda, porque, no momento em que as escolas recambiaram a…