The Shining (1980) – Crítica

Here’s Johnny!

– Jack

The Shining é a adaptação de Stanley Kubrick ao famoso livro do mesmo nome de Stephen King. A história é a de Jack Torrance (Jack Nicholson) um homem que é escolhido para vigiar um hotel durante o seu tempo de fecho no Inverno , o que compreende o período desde 31 de Outubro até 1 de Maio, e juntamente com a mulher e o filho devem suportar o isolamento que o lugar traz.

Este filme é um absoluto clássico do cinema e com variadas razões para isso, na minha opinião é daquelas obras que não falha numa única coisa desde a arrepiante abertura até ao seu final completamente paralisante. A atuação de Jack Nicholson é provavelmente a melhor que o ator já deu na carreira, e isso é dizer muito só por si. A forma como tudo é filmado, sonorizado e representado é uma aula em como um filme deve ser feito e especificamente o terror que é colocado na mente do espectador de forma gradual, cena após cena.

Composto também por várias cenas icónicas e reconhecíveis por qualquer pessoa remotamente ligada a cinema, com um perfecionismo já característico e quase obsessivo de Kubrick.

O restante elenco secundário é competente, mas servem apenas como peões para uma constante coreografia brilhantemente ensaiada entre Nicholson e Kubrick, que juntos fazem aquele que é para mim o melhor filme de terror alguma fez feito.

* CUIDADO COM SPOILERS *

Como disse em cima, um dos aspectos mais importantes neste clássico, é a forma como cena após cena Jack começa a degradar o seu estado mental e é a representação no seu melhor. Para quem quiser ver existem extras a mostrar como o ator entrava em personagem e são impressionantes. Stanley Kubrick é um mágico atrás da câmara, a forma como primeiro ele vai marcando o tempo “Passados 3 meses” passando para “Terça-Feira” até que chega a uma altura em que começa a dizer as horas e transmite assim o nível de claustrofobia ao espectador é brilhante.

Existem imensas cenas que deixam a sua marca neste filme, a mais conhecida provavelmente envolve um machado, mas a minha pessoal favorita é a de Jack a explicar a Wendy o seu estado enquanto esta abana com um taco de basebol, seguido de uma cena inicial em que Jack “observa” Wendy e Danny através da réplica do labirinto que tem no seu escritório.

A forma como Stephen King não gostou deste filme é muito publicitada e é justificada, porque Stephen escreveu as personagens de uma forma diferente, uma das maiores críticas feitas por King é que Jack aqui já parece meio instável desde início enquanto que na história ele supostamente é super normal para começar e depois gradualmente transforma-se na pessoa que vemos no final do filme e é compreensível que estes choques entre escritor e adaptação a cinema aconteçam, não significam que um ou outro sejam maus. Shelley Duvall foi se calhar a maior vítima de tudo isto , e do perfeccionismo de Kubrick que a levou à exaustão mental e a mal tratava para atingir o estado de cansaço e de confusão que ele pretendia da atriz, até a cena que acima referi como a minha favorita demorou um recorde de 127 takes. No final de tudo fica um dos melhores filmes alguma vez feito e um pessoal favorito meu.

Are you out of your fucking mind?

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