Super-poder? Jornalista

Kara Denvers é mais do que uma assistente no império “Catco Worldwide Media”. Na verdade, é uma refugiada do planeta Krypton, que protege National City, sob o fato de Supergirl. A dado momento, na história desta personagem da “DC Comics”, ela tem a oportunidade de uma vida: ao ser promovida, surge a hipótese de escolher a carreira a seguir. Entre a destruição de vilões alienígenas e a ajuda aos bombeiros locais, eventualmente a decisão acaba por se tornar clara: o cargo de repórter será mais uma forma de salvar o mundo. Desta vez, expondo as verdades e as injustiças que perturbam o bem-estar de todos.

Um breve olhar sobre o universo da banda desenhada revela, sem margem para dúvidas, que Kara não é a única personagem a encarar o jornalismo como uma ferramenta para tornar o mundo um lugar melhor. O seu primo Clark Kent – Superman quando o dever chama – é repórter no “Daily Planet”. Peter Parker – Spider Man sempre que é preciso – trabalha como fotojornalista freelancer. E Tintim – ainda que não use um fato espetacular – enfrenta bandidos nos quatro cantos do mundo, sempre em busca do melhor furo jornalístico.

Este último caso é, aliás, um dos suprassumos do jornalismo de investigação com que a ficção nos presenteou. “As aventuras de Tintim” não estão impregnadas de realismo. Nunca percebemos como, por exemplo, um rapaz de apenas 14 anos é jornalista e viaja sozinho em trabalho. Contudo, Tintim reúne as qualidades do repórter que coloca a revelação da verdade no topo das suas prioridades, respeitando os princípios éticos da profissão.

Super-heróis e jornalistas têm objetivos compatíveis: fazer questões, exigir respostas e esclarecer o público. É este ideal de luta contra o crime, associado a atos de coragem, que leva super-heróis a seguirem jornalismo, no universo da ficção. Os problemas de ambas as profissões são, quase sempre, equivalentes. No final do dia, importa é que a corrupção seja revelada, os bandidos presos e o mundo salvo.

Não esqueçamos que se trata de um mundo em que apenas um em cada sete cidadãos vive em liberdade de imprensa. E, perante uma realidade destas, urge a necessidade de um maior respeito pelas cruzadas que jogam com o híbrido super-herói/jornalista. É nessa sinergia de funções que encontraremos exemplos no melhor da ficção a servir como meios para melhorar a realidade. Porque, quer seja na ficção ou no quotidiano, é difícil identificarmos a linha que separa o super-herói do jornalista. A coragem funde as duas facetas.

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