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Os Livros do Futuro

A ficção científica está bem presente na literatura há já bastantes anos e sempre teve como objetivo prever o futuro e compreender o funcionamento da sociedade. De facto, existem livros que parecem mesmo antever o futuro, nomeadamente a chegada do Homem à lua, ou o surgimento da bomba atómica.

Comecemos pelo romance de George Orwell, 1984, obra que, ao retratar uma sociedade reprimida e constantemente controlada pelo poder político, acaba por fazer referência ao tema Big Brother. Este último tornou-se, então, um dos mais famosos programas de televisão de todo o mundo.

Também Isaac Asimov antecipou a criação de computadores cada vez mais potentes e capazes de conectar os seres humanos, tal como acontece atualmente com a Internet. Exemplo disso é a coletânea de contos Eu, Robot, onde é descrita a evolução destas máquinas ao longo do tempo. Atualmente, é de referir que o Homem está cada vez mais ligado às tecnologias, de tal forma que se esquece frequentemente do contacto humano com os outros seres da mesma espécie. A comunicação à distância tornou-se uma constante.

E ainda há mais. Também a consagrada obra A Guerra dos Mundos, de Herbert George Wells, conseguiu agitar a realidade ao referir guerras com tanques e bombas nucleares, sendo que um excerto chegou a ser noticiado na rádio – a suposta invasão alienígena. Mais de 1 milhão de pessoas acreditou nesta história, o que gerou controvérsia e caos por entre a população.

Ainda com muito por dizer, Julio Verne, com a obra Vinte Mil Léguas Submarinas, previu a invenção de um submarino com combustível suficiente e inesgotável capaz de se locomover. Esta é uma invenção muito utilizada na atualidade e, inclusive, causadora de polémicas como a do caso dos submarinos – caso de corrupção em Portugal relativo ao concurso público de aquisição de dois submarinos realizado pelo XV Governo Constitucional de Portugal ao Germain Submarine Consortium. Este caso relaciona-se, portanto, com corrupção, tráfico de influências e de financiamentos ilegais de partidos políticos. No entanto, Verne vai mais além e, no livro, Da Terra à Lua, narra uma viagem espacial, realizada quatro anos mais tarde com o projeto americano Apollo.

Antecipando invenções bem mais atuais, Arthur Clarke escreve 2001: Uma Odisseia no Espaço, obra que nos faz imaginar um computador com conteúdo jornalístico atualizado constantemente – Newspad. Esta criação em muito se assemelha aos atuais iPads, cada vez mais em voga. Da mesma forma, Clarke escreve A Cidade e as Estrelas, onde é exposta uma realidade virtual, dois anos antes do lançamento do primeiro jogo de vídeo (em 1958).

Douglas Adams, em O Guia do Mochileiro das Galáxias, complementa esta última conceção com o surgimento de uma enciclopédia de conhecimentos disponível para toda a gente. Com efeito, podemos ver este invento como a tão reconhecida e aproveitada Wikipédia.

As previsões não terminam aqui, pelo que Ralph 124C 41+, obra de Hugo Gernsback, relata o uso dos aparelhos com competências para fazer chamadas de vídeo. Hoje em dia, temos nas nossas próprias casas comunicadores instantâneos como o Messenger, ou o Skype, que nos permitem falar com uma pessoa de qualquer parte do mundo, em tempo real. Como complemento, Revendo o Futuro, de Edward Bellamy, fez referência ao telefone e ao cartão de crédito.

Uma outra previsão foi a de Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, com o tema da manipulação genética e da clonagem, tema este muito controverso nos dias de hoje.

Para terminar e para não alongar a lista de previsões que se têm sentido ao longo dos anos, saliento Ray Bradbury, com Fahrenheit. Nesta obra, Bradbury concebeu uma sociedade que substituía os livros pelas tecnologias mais atuais como a televisão, ou os programas online.

Efetivamente, com o passar do tempo, a ficção científica conseguiu, em muitos aspetos, tornar-se real, projetando um futuro cada vez mais tecnológico e capaz de mudar a relação que nós, seres humanos, temos uns com os outros. Inclusivamente, foi capaz de transformar comportamentos e a nossa maneira de ver o mundo.

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Maria João Mesquita

Licenciada em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, sempre fui apaixonada pelo mundo jornalístico, pelo que trabalho atualmente num jornal/rádio/televisão de Famalicão. Gosto de escrever e sempre me atraiu esta área, porque me permite dar asas à minha criatividade e ir mais longe. O céu é o limite.

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