O mistério dos objetos vivos

Existem três acontecimentos, em particular, que ainda me espantam e deixam intrigada.

São eles: as tampas dos tupperwares que desaparecem, os fios que se enrolam e as meias sem par.

Tenho um armário para guardar tupperwares, aos anos que é o mesmo, mas noto que alguns perdem a sua cobertura. Quando precisamos de um recipiente destes completo não há. Porquê? Não sei, mas tem-me acontecido com alguma frequência ao longo da vida. Já experimentei guardá-los fechados para não se desligarem e constato que apenas funciona para aqueles que são de vidro e as tampas têm quatro pegas para fechar. E mesmo assim… enfim…

Outro mistério, é o dos fios (quanto mais fininhos pior). Mesmo sendo guardados fechados e separados uns dos outros, parecem ganhar vida quando os vamos usar. Misturam-se entre si ou, nessa total impossibilidade, embrulham-se consigo próprios!

Assim que os agarramos ficam loucos e decidem atrasar-nos a vida – nós. Criam nós!

Aquilo que aparentemente estava direito, fica possuído e enreda-se de tal maneira que perdemos não sei quantos minutos, respiramos fundo várias vezes e só com muita paciência e oração (ou asneirada da grossa) os soltamos daquela trama maléfica.

Outro enigma, são as meias que ficam solteiras. Será que existe um divórcio consentido? Não entendo. Saem sujas para lavar e voltam limpas, mas sozinhas. Onde irão parar? Nunca descobri e, também, acontece-me aos anos!

Talvez para o mesmo onde andam as tampas dos tupperwares!

Desconfio que haja um buraco negro na máquina que as suga e transporta para um universo paralelo.

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