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O erro de crescer

Ser adulto em 2021

Uma nova era germina neste mundo em constante evolução.

São assim as sociedades, os indivíduos, a Natureza, a História da Vida e de tudo o mais que existe.

É assim a história da humanidade pois tudo é mutável e em contínua criação.

Parece estranha e pouco óbvia esta questão de ser adulto. Como se ser adulto fosse algo que já se soubesse aceitar, padronizado que está quando se atinge a maioridade legal. Desta forma entendido e não debatido.

Só que, vive-se a um ritmo frenético, num pára-arranca entre um passado e um futuro, sem estar no presente que se faz. A genética, a ciência, a medicina; o espaço e o cosmos, os oceanos e o ambiente; as imagens e sons, os jogos de luzes e cor que ofuscam a realidade adjacente; os vírus que consomem a imortalidade mental; a era da (des)informação em prol do mundo do conhecimento; a preferência pelo capitalismo, materialismo, consumismo… contra a capacidade de se elevar a si mesmo, o Humanismo.

E, questiona-se: que tipo de adulto se é?

Olhos postos num futuro próximo ou longínquo, aceita-se uma ansiedade de algo que ainda não é.

Vive-se em constante desequilíbrio, onde os pratos da balança pendem entre uma criança passado e uma  adultez difícil de entender.

Existe-se; socializa-se, age-se, trabalha-se, num padrão ou não, entre a parentalidade, o conjugal, o profissional, o lazer ou a produção; num frenesim de idas e vindas, muitas vezes ofuscados pela ilusão de nunca se permitir serenar.

Dramática a actual condição de adultescência. A única certeza é a de que ser adulto não é algo estanque, prisioneiro num estado inerte, mas como algo passível de se construir a si mesmo, de acordo com o contexto histórico-social onde se insere.

Cosmopolita, no estado pós-pandémico e de profunda alteração de consciência e mentalidades.

Ou não! Aprende-se ou repete-se o mesmo errar.

Porém, de que adulto aqui se fala?

Curiosamente, ao pesquisar esta temática, deparamo-nos com uma dificuldade gigante. Uma omissão profunda, de que ao se “entrar” no ser adulto, pouco ou nada se encontra como estudo ou pesquisa.

E, se se encontram páginas e páginas de informação sobre a infância, a adolescência ou a velhice, a sociologia do adulto fica nas brumas do desconhecido. Talvez, por isso, a maturescência seja pouco compreendida, até pelos próprios que nela estão.

Será que se entende o adulto, aquele que deixou agora o estrelado universitário e segue, a milhas, rumo a um padrão regular de casa, trabalho, família?

Ou, aquele, que depois disso, enraíza numa profissão que não quer, em que conta o passar dos dias como forma de contabilizar os gastos para a reforma?

Talvez aquele que, pós anos e anos de trabalho, reformado, eterniza os minutos em dias, equacionando os porquês da sua existência?

Terrorífica esta visão da adultidade?

Qualquer que seja o estatuto de ser adulto, parece que a questão a reflectir passe mais por saber quem se é, aceitar-se e não o que é ser adulto?

Rogers acredita que se uma pessoa é aceite, plenamente aceite, e nesta aceitação não há julgamento, apenas compaixão e solidariedade, o indivíduo está apto a abraçar-se a si mesmo, a desenvolver a coragem de abandonar as suas defesas e encarar seu eu verdadeiro.

(Carl Rogers, Tornar-se Pessoa, 2009)

Ninguém faz essa questão a si mesmo. Muitos poucos são os que abarcam o seu eu verdadeiro, assumindo a andragogia como um processo natural de transição entre um antes e um depois. Apenas se limita a seguir a ordem das coisas, padronizada na sociedade em que se integra.

Carmen Martins Ezequiel

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

Carmen Ezequiel

Carmen de Jesus Martins Ezequiel nasce a 8 de Abril de 1975 em Queijas, freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras. É sonhadora, brincalhona, impulsiva, emotiva, com uma força interior capaz de mudar o mundo… pelo menos o seu. Em Vila Boim, bela terra do Alto Alentejo, cresce e nas suas planícies se norteia para fazer da poesia o seu modo de viver a vida. Trabalha numa área à qual nunca imaginou actuar e do contato com o sofrimento e angústias diárias, valoriza o ser acima do estatuto e escreve a sua história com palavras geradas das emoções. É feliz por saber que o que faz tem impacto nos outros. Em paralelo, expõe esses sentimentos e experiências vividas no papel e dá-os a conhecer aos outros participando activamente em colectâneas, antologias, jornadas, artigos de opinião, e outros de âmbito literário e cultural. A autora não utiliza o Novo Acordo Ortográfico.

2 Comentários

  1. A impossibilidade abriu caminhos por entre naturezas que destruiu , mas criou outras…a inanimacao com sabor amargo e imovel, o estridente momento passageiro que acorda os passaros adormecidos, mas que nos serve a cada dia. nao nos devemos focar so na criacao de mais atrocidades que mascaram a natureza com tons pouco vistosos. temos de manter de cuidar e dar alegria a paisagem e a todos os seus vistosos recortes que simbolisam o nosso passado! a força do ser humano essta na arte de criar, mas tambem tem o dom de cuidar, de ser amavel, e ja que o é consigo proprio…

  2. Este será o tema mais sonante da sociedade…
    …e … A beira do colapso da interação…a única questão que fica no ar é….
    Seremos capazes de reivindicar o tempo perdido a tentar o impossível….
    Derrotando o possível e que é insubstituível…
    Pela tua voz…a atenção ao detalhe e á realidade em revindicação torna bem visível a preocupação que nos deve incutir esta reflexão…
    Muito obrigado Carmen… continua…cá estaremos para apoiar e dar voz…para que cresça esse tom de alerta…

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