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Combater a desinformação? Sê como uma criança!

Paradigmaticamente vivemos na era onde mais informação está disponível, porém a desinformação dissemina-se ainda mais. Temos mais acesso hoje a conhecimento, como livros, do que um pensador da Idade Média até ao século XIX. Os livros eram caros de se produzirem e, por isso, eram raros. Hoje, na palma da mão com um smartphone temos acesso a bibliotecas de variados temas num piscar de olhos (quer dizer, num desbloqueio de ecrã). Mas fenómenos como as fake news persistem numa ordem proporcional e pelos mesmos meios.

Sabemos que existem pessoas mal-intencionadas e que usam a tecnologia para difundir ideias erradas. Como podemos combater este mal que assola as sociedades ocidentais?

Uma das formas pelas quais podemos combater estes meios é a dúvida metódica. Descartes, no Discurso do Método, propunha que a única forma de chegar à verdade é pela via da dúvida. Ou seja, usar o método interrogativo para chegar à verdade. É preciso duvidar de tudo e não aceitar nada que não seja evidente, desconstruindo o que se pretende saber pelas mais pequenas divisões possíveis para que se chegar ao conhecimento. Após isso, rever tudo. Esta é, essencialmente, a proposta de um filósofo que nasceu no século XVI.

Saber questionar é uma arte, porque teremos respostas diferentes para perguntas diferentes, ainda que eu tema seja o mesmo. Neste sentido, a única forma passa por investigarmos o que queremos saber e isso leva-nos, inevitavelmente, aos livros. Por exemplo, se quero saber se uma notícia é verdadeira ou não, o primeiro passo não é assumir que é verdadeira só porque o aparenta ser e porque estava nas redes sociais. Tenho de ir pesquisar sobre o tema da notícia, noutras fontes, e verificar se é ou não verdade.

Todos nascemos com este espírito inquisitivo, mas a verdade é que poucos o mantêm. Quando as crianças chegam à idade dos porquês, pode ser irritante para os pais e familiares próximos, mas é aquele método interrogativo que não aceita nada só porque sim. A pergunta: Porquê?, assume que existe algo mais além do evidente. Este é, em boa verdade, o método de conhecimento científico nas ciências. No entanto, vamos perdendo este hábito para assumir que é assim, porque todas as pessoas acreditam que é assim. Não devo passar debaixo de uma escada, porque dá azar. Dá azar, porquê? E se de um salto entrar com os dois pés? Posso ter o azar de cair, mas a sorte de não me magoar?

Uma das formas de nos prevenirmos de falsas ideias, muitas das vezes perigosas, passa pelo hábito do questionamento e da procura de conhecimento. A procura do conhecimento passa, basicamente, por ler.

Está mais do que estudado dos benefícios que o hábito da leitura apresenta. Ajuda-nos a sermos mais criativos, desenvolver hábitos de disciplina, pensar melhor ou a desenvolver autoestima. O ideal é tomar contato com livros o mais cedo possível, até porque se é verdade que quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita, também é verdade que os hábitos adquiridos na infância se podem revelar duradouros mesmo quando já somos adultos.

Parte do processo de desconstrução desta era de fake news e de remoção das ideias contrárias à tolerância e liberdade começa desde criança. Quando mais de metade da população portuguesa não leu um livro (um livro!) no período de um ano e, das poucas pessoas que leram, a maioria nem tem a média de um livro lido por mês, temos a chave do problema da desinformação. Programas como o Polígrafo que desmontam as falácias que circulam nas redes sociais, são meros paliativos de um problema geral.

Não quero simplificar um problema complexo. A leitura é uma das ferramentas no combate à desinformação e a ideias que pretendem minar as nossas liberdades. Assistir a documentários, participar em debates e verificar a legitimidade das fontes informativas1 são outras formas de enfrentar este problema.

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer”, disse Jojen. “O homem que nunca lê vive apenas uma.”, George Martin (A dança dos dragões)

1A legitimidade das fontes informativas não assenta no que eu acho sobre aquela fonte, mas se apresenta uma estrutura argumentativa coerente e baseada em factos.

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