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Ciências e TecnologiaSaúde

O copo menstrual

Eu sei que ainda somos púdicos o suficiente para acharmos nojento falar sobre o copo menstrual, mas é mesmo sobre isso que trata este artigo. Para os muito púdicos está a bolinha vermelha assinalada. Se é púdico pare de ler este artigo aqui.

Embora já ouvisse falar da sua existência há algum tempo, só há uns anos experimentei usar um copo menstrual. Forreta como sou, adquiriu-o numa promoção, é acessível e tem um preço equivalente ao de uma tetina de biberão.

Já tinha lido algumas coisas sobre o tema, mas antes de o comprar não abdiquei de ler a informação da caixa previamente. Existem vários tamanhos, que variam com a altura, estrutura (como as meias-calças) e histórico da mulher, por isso este é o primeiro passo antes de comprar, perceber pelas instruções na embalagem qual o tamanho mais adequado.

A maioria das marcas disponíveis no mercado assume uma durabilidade de 10 anos, se usados e limpos conforme as instruções, desta forma, facilmente se confirma que comparativamente a outros métodos descartáveis (pensos e tampões), o valor da compra é amortizado em menos de um ano.

Na primeira utilização a inserção é difícil. É um corpo estranho numa zona sensível e íntima, que normalmente não exploramos o suficiente para nos sentirmos descomplexadas. É importante usar um lubrificante e ler e reler as instruções que acompanham o copo, ver vídeos e imagens disponíveis no dr. Google, assim como testar as várias dobragens possíveis e perceber a que melhor se adequa, não só à anatomia do corpo, mas também a que conseguimos manter indeformável durante a inserção. Com as utilizações o copo fica mais maleável às manobras de dobragens, mas não perde as características que lhe garantem a performance.

Na primeira tentativa de utilização fiquei frustrada e desisti. Estava nervosa e tensa o que não ajudou na experiência. Para quem já experimentou usar lentes descartáveis, as primeiras colocações são difíceis, temos receio de tocar e magoar o olho, demoramos muito tempo, até nos habituarmos ao processo e passar a ser rotineiro, o processo é equivalente com o copo. É importante relaxar e perceber a posição a adotar no nosso corpo para ter o máximo de conforto durante estes momentos, por exemplo de cócoras na banheira, apoiando uma das pernas a uma cota mais alta ou outra.

Acabei por não o usar nesse ciclo, mas no ciclo seguinte tentei novamente, também não foi inato, nem natural, mas consegui e percebi de imediato a diferença brutal que é usá-lo em detrimento de outros métodos, nomeadamente: a não existência de odores, nem de pele irritada, nem a sensação contante de estarmos sujas. Embora faça fricção (que pode provocar dor ligeira e pontual)  durante a inserção, na posição final não se sente, caso magoe é porque não está na posição correta, normalmente é porque precisa de “subir” um pouco mais. Após a inserção é importante verificar se o perímetro do copo se ajustou naturalmente ao canal vaginal, que assim recolhe e contem o corrimento, ou se poderá identificar-se algum vazio que origine pequenas passagens. Em caso de dúvida em relação ao posicionamento e eficácia, o melhor é usar também um penso, reutilizável de preferência.

O ideal é iniciar a utilização em ambientes que controlamos para diminuir a ansiedade e preocupação: dias em que estamos em casa, ou em que não prevemos grandes movimentações físicas, mas podemos usá-lo em todas as situações, incluindo durante sessões de exercício físico e normalmente até 12h seguidas ou até sentirem uma ligeira pressão de “copo cheio” (que não dói).

A retirada também deve ser feita em ambiente confortável, na banheira de cócoras para quem não se impressiona facilmente, na sanita para quem prefere não contactar com os seus “resíduos”. De uma forma ou outra é nojento, as mãos ficam sujas da nossa natureza, por isso encarem-no como um ato de higiene. Eu acho mais nojento retirar, embrulhar e atirar os pensos e tampões para o lixo do que esvaziar o copo para o esgoto e lavar as mãos de seguida.

A cada retirada, o copo deve ser lavado com água corrente, seco, e lubrificado na extremidade superior (exemplo vaselina corrente disponível no mercado) para nova inserção.

No fim de cada ciclo, devem esteriliza-lo, colocando-o num recipiente (reservado apenas para este uso) fervendo-o cerca de 3 minutos, deixar secar e guardar fechado, na bolsa que o acompanha quando é comprado, até à próxima utilização.

Se em determinado ciclo sentir alguma sensibilidade interior ou infeção, ou outros motivos de sangramento, volto aos métodos tradicionais, mas o copo trouxe-me conforto, limpeza e higiene, maior capacidade absorvente facilitando horários e acima de tudo, maior confiança para enfrentar estes dias que são sempre um desafio.

Vais experimentar?

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