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AmbienteCiências e Tecnologia

Em breve esquecidos

5 espécies que vamos perder

A organização não governamental internacional World Wildlife categorizou e listou as espécies que se encontram em perigo de extinção. Por ordem de proximidade a esse limite de existência e quase esquecimento há um ranking. Dividem-se as espécies de acordo com a eminência: vulnerável, em perigo e em eminente extinção. Sendo estes últimos aqueles que se encontram no abismo da memória, aqueles que muito provavelmente nem os nossos filhos chegarão a conhecer no ambiente autóctone e livre.

É surpreendente que, após uma leitura diagonal dessa listagem de 60 animais, encontremos tantos primatas! Na lista de vulneráveis encontra-se 1: o macaco-aranha; dos que se encontram em perigo são 3, e os que vamos perder caso não atuemos imediatamente são 6. Aqui encontramos, por exemplo, o gorila de dorso prateado.

Começamos mal, está visto, mas a espreitadela a esta lista tinha outro objetivo. Pretendia-se elencar 5 espécies das quais não falamos muitos, quer por nos serem algo desconhecidas, quer por entendermos que não devem estar “assim tão em perigo”.

Mas quem são, de facto, estas espécies que destacamos? Onde estão, porque são importantes e o que podemos fazer para travar a inevitabilidade da extinção?

Comecemos pela…

Tartaruga-de-pente ou tartaruga-de-escamas

Nome científico: Eretmochelys imbricata

Peso: entre 40-68 kg

Habitat: oceanos

Status: eminente extinção

Estas tartarugas marinhas habitam o nosso planeta há 100 milhões de anos. Na carapaça, as escamas sobrepõem-se conferindo-lhe um padrão distinto semelhante a lâminas no rebordo, daí o seu nome comum. Os escassos indivíduos de que há registo habitam os oceanos de climas tropicais e alimentam-se de esponjas marinhas que extraem dos recifes de coral utilizando as poderosas mandíbulas em forma de bico. As esponjas são predadoras, destroem o coral que é ele próprio um organismo vivo e frágil e habitat natural de inúmeras espécies de peixes. Também incluem na dieta anémonas e alforrecas. São cruciais para o equilíbrio do ecossistema e mantêm os recifes de coral saudáveis.

Têm sido caçadas de forma intensiva precisamente pela beleza da carapaça e pela vã necessidade do Homem de “ter coisas bonitas”. Mas são igualmente vítimas da perda de locais de nidificação, apanha ilegal de ovos, incidentes relacionados com a pesca (mortes por anzóis, redes de pesca, acidentes com embarcações) e a sempre presente Ceifadora: a poluição. Como se alimentam de alforrecas facilmente confundem um saco de plástico com comida e encontram o seu fim agonizante sufocando.

De valor cultural e turístico inestimável, têm vindo a ser protegidas pelas populações do Triângulo de Coral, uma área de águas marinhas tropicais localizadas no Oceano Pacífico da qual fazem parte a Indonésia, Malásia, as Filipinas, Papua Nova Guiné, Timor Leste e as Ilhas Salomão.

O desaparecimento da tartaruga-de-escamas implicaria uma perda irreparável para o equilíbrio frágil do ecossistema dos recifes de coral e consequentemente da vida marinha.

Saola

Nome científico: Pseudoryx nghetinhensis

Peso: entre 80-100 kg

Habitat: floresta perene

Status: eminente extinção

Também conhecida por Unicórnio Asiático, a enigmática Saola foi avistada pela primeira vez em 1992 no Vietname. Não existe qualquer indivíduo em cativeiro e apenas se registaram 4 avistamentos em ambiente natural. Um grupo em expedição àquele país encontrou, na cabana de um caçador, o crânio de um saola com longas armações retas e percebeu que estariam na presença de um ser incrível. Pertencem à família dos antílopes e para além dos chifres imponentes, possuem riscas brancas no focinho.

Pouco ou nada se sabe sobre esta espécie. Crê-se que, dada a raridade e vulnerabilidade, a população não atinja sequer a centena de indivíduos.

A principal ameaça é invariavelmente o Homem e a desflorestação. A criação de espaços agrícolas e a crescente construção de infraestruturas força a população de saolas a procurar refúgio em áreas cada vez mais reduzidas. Perder esta espécie implicaria um desfalque na biodiversidade do nosso planeta.

Vaquita ou boto-do-pacífico

Nome científico: Pseudoryx nghetinhensis

Peso: 55 kg

Habitat: mar (exclusivamente norte do Golfo da Califórnia)

Status: eminente extinção

Está identificado como o mais raro mamífero marinho. Atualmente só há registo de 10 indivíduos. Descoberto em 1958, as principais características são os anéis escuros em torno dos olhos. Foi classificado como o cetáceo mais ameaçado por extinção em todo o Mundo.

É vítima da chamada captura acessória ou acidental que ocorre quando os pescadores recolhem espécies diferentes da que se propõem efetuar. Uma das formas de evitar este tipo de resultado seria a adaptação dos métodos de pesca recorrendo, por exemplo, a tecnologia e equipamentos mais avançados de reconhecimento e captura de cardumes.

Toirão-americano ou doninha-de-patas-pretas

Nome científico: Mustela nigripes

Peso: 700gr-1kg

Habitat: pradarias (indígena das regiões centrais da América do Norte)

Status: em perigo de extinção

Há trinta anos esta espécie foi dada como extinta até que um rancheiro do estado de Wyoming percebeu que existia uma pequena comunidade a viver num dos seus campos. O grupo foi recolhido e introduzido num programa de reprodução para recuperação da espécie. Extraiu-se material genético de 7 indivíduos e toda a população existente em cativeiro deriva destes sete. Existe, à partida, um problema com esta limitação à diversidade genética: o cruzamento do ADN provoca fragilidades ao nível da resistência a doenças.

No caso do toirão-americano, a Ciência foi mais longe. Em dezembro de 2020 nasceu Elizabeth Ann, uma doninha-de-patas-pretas fêmea clonada a partir de material genético extraído diretamente de um indivíduo daquele primeiro grupo que vivia em liberdade. Ou seja, não descende de nenhum dos que têm sido cruzados. Isto coloca Elizabeth Ann numa posição mais segura em termos de exposição a doenças genéticas. Há esperança para esta espécie. Temos que dar tempo ao tempo e permitir que voltem a fixar-se nas planícies norte-americanas.

Urso Polar

Nome científico: Ursus maritimus

Peso: 350-600kg (machos); 150-350kg (fêmeas)

Habitat: círculo polar ártico e áreas continentais adjacentes

Status: vulnerável

É o maior carnívoro terrestre e o maior dos ursos. Exímio nadador, atinge os 10km/hora, usando as patas dianteiras para propulsionar o corpo ao mesmo tempo que estica as traseiras orientando o movimento como se fossem um leme. A camada espessa de gordura corporal coberta por um majestoso e impermeável manto branco conferem-se o isolamento perfeito para que sobreviva às baixas temperaturas do ar e da água daquelas regiões.

Quatro curiosidades incríveis:

– O pelo do urso polar não é branco. É transparente! Cada pelo possui um núcleo oco que dispersa e reflete a luz solar dando a ilusão que é branco;

– A pele é espessa e preta!

– A língua é azul!

– Possui 3 pálpebras!

Entre as principais ameaças à sobrevivência desta espécie estão as alterações climáticas com a subida das temperaturas e consequente degelo. A exploração de petróleo e gás natural e a contaminação do habitat por poluentes encontram-se no mesmo prato desta balança que está claramente a pender para o lado da extinção.

De novo, a poluição. A contaminação das águas leva ao declínio da população de focas, a sua principal fonte de subsistência. A escassez de alimento força o urso a aproximar-se de zonas povoadas por humanos e há relatos de encontros que acabaram por ser fatais para o urso polar.

O tique-taque de que se fala é cada vez mais audível, esvaem-se os derradeiros grãos de areia da ampulheta, o túnel está a desembocar para um abismo ameaçadoramente escuro e não, as previsões não são animadoras. Longe vão as vozes dos fatalistas e ficamos agora com os factos, os números, as evidências e apenas uma certeza: se a responsabilidade é nossa, a reversão também está nas nossas mãos. Antes que hoje, seja tarde de mais.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

Mónica Santos

Em miúda gostava de inventar, agora escrevo; colava as vistinhas nos intervalos para devorar publicidade, agora sou copywriter; lia em voz alta na escola, agora faço locuções, destaquei-me na praxe quando pediram que dissertasse sobre "Pistões e panelas de pressão" e com isso ganhei rodadas; um dos empregos que tive, consegui-o com um texto sobre flatulência, e era autobiográfico...sou locutora, narradora, produtora de rádio e pagam-me para escrever. Gosto muito de ser mercenária e dos desafios que me arremessam. Lutei contra o Acordo Ortográfico mas agora damo-nos muito bem. Quis experimentar a liberdade de brincar com a escrita e encontrei no Repórter Sombra o perfeito parque de diversões: aberto todo o ano e sem torniquete à entrada....ah, e tenho os bolsos cheios de fichas!

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