Na mochila que carrego…

Hoje quero e não consigo, há dias assim.

Gostava de escrever bonito sobre o que me vai cá dentro, mas os dedos teimam em não obedecer ao que lhes peço. Parecem ter vontade própria e redigem no teclado o que muito bem entendem e não o que sinto.

O cérebro não consegue comandar a vontade própria das mãos, que preguiçosamente insistem em não deitar ao mundo as emoções e sentimentos que por aqui habitam, e querem sair para se mostrar, não por serem melhores ou piores do que quaisquer outros, mas apenas porque querem sair, e eu permito.

A escrita descreve em regra o que pensamos ou sentimos em relação a um qualquer acontecimento, situação ou mesmo pessoa, e é tão bonito ler o que está escrito e entender o coração de quem o redigiu.

Quero que saia apenas o que de bom e bonito cá está dentro, porque as tristezas, agruras ou coisas menos boas, só existem se lhes dermos dimensão, e eu não lhes quero dar valor, quero alimentar e fortalecer tudo o que de melhor existe mim, nada mais do que isso.

Quero guardar na mochila que carrego, apenas o que é essencial, e como dizia o Principezinho o que é essencial é invisível aos olhos e por isso quero muito que a minha mochila siga quase vazia, e digo quase, porque não é possível não ter algumas dificuldades que sempre nos perseguem e nos dificultam a caminhada que fazemos, são as pedras que carregam a nossa mochila.

Se percebermos a afinidade entre o peso dos problemas que suportamos todos os dias nos ombros, e o de uma mochila que se coloca às costas quando realizamos uma caminhada, percebemos mais facilmente que a caminhada será tão mais difícil quanto maior for o peso da nossa mochila.

Ou seja, é da nossa responsabilidade escolher o que guardamos na mochila, e o peso do que lá se coloca. Falamos sempre de opções e de escolhas.

No entanto nenhuma pessoa está sozinha, será sempre ela e as suas circunstâncias, aquelas quem moldam e dificultam ou facilitam as escolhas, ninguém é completamente livre nem pode considerar-se super, teremos sempre as nossas fraquezas, dúvidas e medos.

E não tem qualquer mal, afinal não somos perfeitos, e ter essa noção da nossa imperfeição e fragilidade pode ser um motor de maior força, para nos guiar no caminho, sabendo que é a errar que se aprende, mas que não deveremos persistir nos erros, porque nesta circunstância, se errar é humano, persistir no erro não é.

Importa, pois, ter a capacidade de aprender com os nossos erros e falhas, assim estaremos a contribuir para a nossa evolução enquanto pessoas e como sociedade, a aprender sem medo de errar, mas atentos, para retirar aprendizagens dos falhanços anteriores ou das situações que nos fragilizaram e que afinal foram tão desnecessárias e tinham sido tão facilmente contornáveis, bastaria apenas um pouco mais de atenção.

No entanto, acredita, da próxima vez será diferente, ficou o registo e anotamos que a tranquilidade na reação é sempre uma boa aliada que permite pensar melhor antes de agir.

Importante mesmo, é não persistir no que sabemos que não correu bem. Cabeça erguida e olhar em frente, seguir sem receios, com medos e dúvidas, mas com  a certeza de que o caminho se faz de todas estas etapas, missões, aprendizagens, erros e vitórias.

“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.”

John Lennon

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