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Móveis na Era Digital

George Burus uma vez disse: “Olhem para o futuro, porque é aí que irão passar o resto das vossas vidas.” Os produtos mobiliários com os quais entramos em contacto diariamente moldaram os nossos comportamentos e as nossas posturas perante os espaços que ocupamos, nas últimas cinco décadas. No entanto, este paradigma tem mudado rapidamente e, a cada década que passa, existem cada vez mais modificações no design de mobiliário, que ocorrem para dar resposta às drásticas mudanças nas necessidades dos consumidores. Muitos produtores e vendedores questionam-se quais serão os caminhos a percorrer, a partir daqui. Como é que a associação entre o design e a construção de mobiliário poderá contribuir para a evolução deste ramo?

Vários movimentos têm vindo a ganhar muita popularidade, desde o início do século XXI. Enquanto que, no século anterior, as tendências avançavam para movimentos Pós-Modernistas, tem vindo a crescer um maior interesse no Ecodesign e num design com uma aparência mais natural. O Ecodesign tem em consideração o impacto ambiental que uma peça de mobília pode ter durante toda a sua existência, desde a sua manufacturação, passando pela sua disposição no espaço, até à sua utilização diária. Este objectivo é atingido recorrendo a materiais reciclados, ou que são recicláveis, algo que capitaliza não só a genuína preocupação ambiental, mas também da cada vez maior consciência que a população vem tendo relativamente às questões ambientais.

Outra tendência cultural que está a ganhar muitos adeptos é a Urbanização, que tem afectado o design de mobiliário de uma forma muito interessante. À medida que a população nas cidades vai aumentando, o espaço habitacional vai sendo cada vez mais reduzido. O que implica que as acomodações têm de ser mais pequenas, mais baratas, mais fáceis de limpar e que sejam, ao mesmo tempo, amigas do ambiente. Esta tendência na redução de espaço tem encorajado um sem número de designers, inventores, engenheiros e cientistas a serem muito criativos na criação de elementos decorativos. Um desses exemplos é a Otto-Bench, da Life Fitness, cuja principal característica é a de ter múltiplas utilidades, de forma a permitir que os compradores tenham apenas um móvel a ocupar espaço nas suas salas, em vez de dois ou três. Ou seja, pode ser usada como uma mesa de centro, ou de café, ou, ainda, ser usada para assentos extra, transformando a Otto-Bench num divã.

Contudo, a área que tem dificultado a previsão de tendências por parte dos designers é a evolução tecnológica actual. Os aparelhos estão a ficar gradualmente mais pequenos, os cabos para transferência de dados estão a desaparecer (o próximo desafio é terminar com os carregadores) e praticamente todos os aparelhos são portáteis, o que tem obrigado à sua integração no mobiliário, mas com limites bem estabelecidos, uma vez que a rapidez com que a tecnologia evolui pode tornar a peça de mobiliário obsoleta com facilidade. Um excelente exemplo de uma correcta integração da tecnologia na mobília é um novo aparelho denominado Powermat. Este aparelho pode ser colocado em superfícies de trabalho de forma discreta e gadgets, como um portátil, um telemóvel ou um iPod, podem carregar as suas baterias só por estarem em contacto com a sua superfície. “Os clientes podem antecipar uma grande integração ou fusão da tecnologia no mobiliário e noutros elementos integrantes na habitação, oferecendo uma maior gestão da comodidade,  da energia e da partilha de dados e, geralmente, acrescentando um grande valor individual e organizacional à habitação”, afirma Mark Schurman, Director de Comunicação Corporativa na Herman Miller.

Na Era Digital em que vivemos, começou-se um processo de desmaterialização, onde predomina a elegância do minimalismo. Monique Le Ray considera que as peças de mobiliário irão tornar-se cada vez mais próximas do chão, com a tecnologia a ter um papel muito importante no design, sendo a funcionalidade o elemento-chave na construção do caminho para um futuro sustentável, neste ramo. “A revolução no ramo mobiliário tem de ter em conta as inovações tecnológicas e as formas de viver, que são diferentes de pessoa para pessoa. Actualmente, as pessoas vivem de uma forma menos formal do que os seus pais e o design de mobiliário tem de começar a reflectir esse facto. A compra de mobília já não é feita só porque a peça é bonita… as escolhas são feitas para maximizar o espaço na casa dos clientes. A necessidade influência o design.”

Muitas empresas concordam com esta linha de raciocínio e começam a incorporar gadgets nos móveis que criam. Exemplo disso é a a cama iCon da Hollandia , cuja cabeceira está equipada com colunas de som, um amplificador e uma estação de ligação para dois iPads, ou então as gavetas Fleur de Noyer, da Think Fabricate, que tem incorporado uma estação de carregamento para aparelhos portáteis, como os smartphones. “O que é interessante de um ponto de vista de um designer”, afirma Harry Alen, um designer industrial e de interiores, “é que os computadores tornaram obsoletos determinados produtos. Já não necessitamos de relógios, porque podemos ver as horas no telemóvel. Não necessitamos de arquivadores para os armários, porque os ficheiros ficam todos guardados no portátil. Existem vários objectos que costumavam ocupar muito espaço nas habitações, mas que agora já não são tão usados.”

Porém, à velocidade a que as inovações tecnológicas surgem, depressa um destes móveis transforma-se numa peça redundante e antiquada. Por essa razão, não é de admirar que muitas empresas, como a CB2 e a M2L, que têm feito uma abordagem mais pragmática à incorporação da tecnologia no design, não fundindo os gadgets com os móveis, mas adaptando o seu uso na casa dos consumidores. A cadeira Scene XXL, desenhada pela Gijs Papavoine, tem uma mesa para tablets opcional e umas costas altas para criar privacidade, quando se está a escrever ou a fazer uma chamada. A mesa para portátil da Tucker, que tem uma área de arrumação para o portátil e que é baixa o suficiente para servir de superfície de trabalho, enquanto se está sentado no sofá.

Todas estas opções e factores devem-se convergir para criar a industria imobiliária mais dinâmica e desafiadora das últimas décadas. Tal como Brett Kinkaid, da Steelcase, resume tão brilhantemente: “Quando pensamos no futuro do ramo mobiliário, estamos a pensar no futuro de um negócio. Nós sabemos que a velocidade de produção e a complexidade do negócio aumenta todos os anos e que são dois factores que não vão parar de aumentar num futuro próximo. Também acreditamos que as empresas que sobreviverem a estas mudanças constantes terão de usar o design e a tecnologia como pilares importantes na estratégia que delinearem, dando, deste modo, uma vantagem competitiva aos seus empregados. É na intercepção entre as evoluções tecnológicas, as mudanças sociais relativas à natureza de trabalho realizado e a globalização do negócio mobiliário que se encontra o futuro da mobília.”

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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