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Julga mesmo quem não vê

“O silêncio é de ouro, a palavra é de prata”. Se não sabes o que dizer ou se nada acrescentas, mais vale te manteres em sintonia contigo e deixar tudo o resto passar. Recolheres-te porque em nada te interessam as intrigas dos outros, as relações que se desmontam ou com quem fulano encetou nova relação. De quem são filhos ou parentes daqueles que se nos atravessam em caminhos ou se conheces a vida de quem, na realidade, só interessaria conhecer a própria essência.

Seguimos, impávidos e serenos, na totalidade das vezes completamente alheios no quanto os nossos passos interessam a quem nos observa. Mais curioso ainda é que são reportadas, em sussurro, histórias que nem sequer são as nossas, mas que possuem traços com certos vislumbres.

Os que as contam, que nos olham das janelas entreabertas ou quando se cruzam connosco nas ruas, que comentam entre si detalhes escabrosos de vidas inventadas conseguem, em singularidade, questionar-nos directamente, mostrando-nos sem problema, o quanto somos comentários de conversas: “deves estar a ganhar bem para teres agora esse novo carro”; afinal, a tua avó morreu de quê?”

Quanto vale realmente aquilo que nos é falado directamente ou, certamente, nas nossas costas?

Por isso, a escuta atenta em nós próprios é necessária. Também fazemos parte dos que falam, dos que são interessados nas vidas alheias.

A curiosidade humana em ouvir e saber histórias também tem um lado sombra. De perceber se a desgraça de quem nos cerca é maior do que a nossa. Talvez, desta forma, não nos sintamos infelizes. Não teremos necessidade de nos enfrentar e aos nossos fantasmas, de uma vez por todas.

Quando não temos o que dizer, falamos dos outros. Falamos de tudo, mesmo do que não vemos. Julgamos. Na nossa justiça e transparência, em veracidade das faltas que também nos preenchem mas que muitas vezes não queremos ver.

Ocasionalmente, mergulhamos em notícias, em mexericos de celebridades. No melhor pano cai a nódoa e os deuses, afinal, também sobejam em falhas.

Quantas vezes, o ouro que não calei e reflecti em mim, não se libertou em auto-fúria?

Julgam aqueles que não vêm. E não vêm de todo. Só vêm o que querem ver, inquietando.

Em prata espero conseguir comunicar. Em imperfeição, tomar rumos e seguir, serena, atenta à curiosidade que me tomar. Deixo que falem, dos outros e de mim. Se necessário, estarei aqui para me ouvir. Que seja em conformidade com o que, de verdade, quero dar.

Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Ainda piso as tábuas, volta e meia, porque faz parte de mim, nem me vejo de outra maneira. Gosto muito de vários assuntos. De pessoas. De assuntos que envolvam pessoas. A paixão por livros e letras é tão grande que tenho de aprendê-las através das palavras.

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