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Hoje eu estou apenas cansada – Parte II

Eu não sou assim, é apenas um momento

Vivo num tempo perdido de mim e em mim. Sei que não encontro o que quero e este desassossego incomoda-me e não me permite descansar o espírito.

É o desassossego da inconstância perdida no caminho, percebo que me falta a orientação… não a dos valores, porque esses são intrínsecos, falta-me perceber porque não consigo ser igual aos outros. Por que razão se os outros acham sempre que está tudo bem, eu hei-de encontrar uma questão que não está bem explicada, ou uma qualquer razão que inexplicavelmente não percebo?

Não nasci para ser calimero, mas é bem verdade que tenho sido presenteada por grandes maldades nesta minha vida, a justiça nem sempre funciona e os malvados nem sempre são responsabilizados pelos seus atos.

Para quando ver a justiça acontecer e as pessoas pagarem por todo o mal que cinicamente espalham em sua volta, com o ar mais obsceno que possamos imaginar?

Estas pessoas não têm consciência? Como conseguem descansar? Fazer mal trará satisfação ou alegria a alguém? Será que nem por um momento apenas pensam que um dia poderão vir a pagar pelo mal que fizeram?

Há marcas da maldade humana, que nunca passam e pessoas que são tão malvadas que é impossível apagar das nossas vidas, por muito que se tente. Lamento pela maldade que não consegui evitar, mas esta é uma mágoa que me assombra o coração e que me escurece a alma.

É inevitável que aconteça, ninguém é de ferro, eu pelo menos não o sou.

O que me salva e o que me mantém a pessoa que continuo a ser, uma sobrevivente, é toda a envolvência que tenho na vida, a sorte de ter família, amigos, colegas e até apenas conhecidos, que me fazem sentir que afinal vale a pena.

E me fazem sentir especial, porque sou verdadeira, genuína e assim simplesmente eu, humana e carregada de defeitos. Mas pura, no tratamento para com os outros.

Temos que acreditar que o bem supera o mal e que quem faz mal, inevitavelmente terá que pagar pelos seus atos, mas na realidade, e como diz o povo “com o mal dos outros posso eu bem”.

É também verdade que sabe bem pensar que um dia iremos poder observar os malvados da nossa vida pagar pelo mal que fizeram, porque nós podemos até perdoar, mas esquecer… existem situações que são muito difíceis de esquecer, eu diria mesmo impossíveis!

Há acontecimentos que nos perseguem, e vagueiam no nosso pensamento, dia após dia, incomodam-nos em vários momentos fechando-nos o nosso sorriso e ensombrando o nosso olhar.

É um facto que o tempo ajuda a dissipar tudo, mas não apaga, não dilui a sensação de injustiça que se viveu. Estará sempre presente o requinte de malvadez do executante da nossa injustiça… é demasiado mau.

Afinal, tudo o que nos acontece, é apenas aquilo que fomos capazes de suportar. Nem mais nem menos, apenas aquilo que somos capazes de receber, e eu recebi, e de bandeja. Se era o que merecia, não sei. Diria que não. Mas quem sou eu para julgar? Sei apenas que foi intenso, foi injusto e foi muito doloroso, levarei uma vida a superar, se é que algum dia poderei dizer que superei.

Guardo rancor ou raiva? Não, guardo compaixão pelas almas pequenas que andam por este mundo e que se acham grandes, guardo misericórdia pelos seres miseráveis que existem e que se consideram pessoas de bem e que afinal são capazes de tamanhas atrocidades para com os outros.

“Não precisamos converter-nos uns aos outros por meio dos nossos discursos ou pelas nossas palavras. Só podemos fazê-lo com as nossas próprias vidas. Que as nossas vidas sejam um livro aberto para que os outros possam estudá-lo.”

(Gandhi)

 

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Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra, construindo momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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