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CulturaLiteratura

Elizabeth is missing, de Emma Healey

Quem pode resistir a este mistério? Em português, chama-se Elizabeth desapareceu e é esta a sinopse:

Um mistério, um crime não resolvido e uma personagem inesquecível: Maud.

Maud está convencida de que a amiga desapareceu, mas ninguém acredita nela. Tem cerca de 80 anos e o seu contacto com a realidade não é o mesmo de outros tempos. Existem pedaços de papel por toda a casa: listas de compras e de receitas, números de telefone, notas sobre coisas que aconteceram. É a memória em papel que impede Maud de esquecer as coisas. De repente, nas mãos de Maud encontra-se uma nota com uma mensagem simples: «Elizabeth desapareceu.». É a sua letra, mas não se recorda de a ter escrito. O que aconteceu?

Maud está certa de que a amiga corre perigo.

É lindo, está perfeitamente bem escrito e parte-nos o coração.

ElizabethIsMissing1Maud está a ficar demente e a forma como Emma Healey nos vai mostrando isso sem dizer está muito bem pensada. O tão importante show, don’t tell feito de uma forma magnífica, tão bem concretizada que se tornaria óbvia, mas não é – ou não foi para mim. E embora a escritora seja muito jovem (penso que nem sequer tinha 30 anos, quando foi publicado o livro), isso não a impede de nos fazer mergulhar na cabeça da octogenária Maud e torná-la incrivelmente real, com a sua história no pós-guerra em Inglaterra, os seus maneirismos e costumes, as suas idiossincrasias. Nós estamos naquela mente. Nós somos Maud. E nós sofremos com o que não percebemos e com quem se ri de nós e não nos leva a sério e nos faz chorar. Aproxima-nos muito da realidade da demência, o que só por si já faz este livro ser incrível.

Mas é mais. É delicioso, desconcertante e triste ao mesmo tempo.

Os mistérios – ah, sou doida por mistérios e aqui existem dois: o desaparecimento de Elizabeth há pouco tempo e o da irmã de Maud, Sukey, há quase setenta anos. Os contornos do desaparecimento de Elizabeth – ou, mais do que isso, a ânsia de Maud descobrir o que aconteceu à amiga – vão fazer com que Maud volte ao passado e se recorde da época em que a sua irmã também desapareceu. Como é típico da doença que começa a manifestar-se, ela vai viver entre o passado e presente, confundindo os dois. A autora leva-nos entre os dois tempos com mestria. Primeiro, marcando um e outro claramente, pois enquanto lemos sabemos onde estamos e seguimos bem a história. Depois, confundindo-os em certos pontos estratégicos na cabeça de Maud – e na nossa – de forma a mostrar-nos, de novo, a confusão desta personagem. E fá-lo exactamente onde deve fazer, nos pontos e na forma ideais e justos. É espantoso.

As duas histórias estão muito bem construídas. Embora eu confesse que pensei, no fim, em relação à irmã, porque é que ela não se lembrou daquilo antes, porque é que precisou daquela pista (que só no final percebi que era uma pista). Contudo, a vida também é um bocado assim, não é? Por vezes ignoramos o óbvio, ou não o queremos ver, ou não há nada que possamos fazer e depois numa outra altura surge essa oportunidade e parece que tudo encaixa. Ou, por vezes, nunca descobrimos, mas Maud descobre. Contra todas as expectativas, consegue descobrir o que aconteceu às duas e resolver os dois mistérios, mesmo que por vezes nem saiba que eles existem.

O fim… oh, meu Deus, o fim é absolutamente devastador. Partiu-me o coração.

Torna-se difícil despegarmo-nos de Maud, enquanto nos tornamos nós de novo, quando o livro está pousado ou foi acabado. Para mim, é um livro obrigatório. Uau.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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