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Coração, a única casa que temos para morar

Como sabe tão bem chegar a casa e sentir o aconchego do olhar radiante e do abraço que nos diz “bem-vindo a casa”, essa terra firme que nos acolhe, onde encontramos o coração quente, abraços bons, sorrisos francos e espaço para sermos quem na verdade somos. Mas que casa é essa?

Somos nós a nossa própria casa, esse lugar paradoxalmente imperfeito e tão bom de viver. Podemos estar em lugares paradisíacos, mas de que valem se não nos fazem sentir em casa quando não estamos bem por dentro? Pois, para estarmos bem por fora, antes de mais, temos que estar bem por dentro, o único lugar que temos para morar e que temos de nosso, mas que muitas vezes é negligenciado e mal cuidado.

Nós somos o lugar mais acessível de todos. Embora algo complexo e do qual muitos fogem, a verdade é que se o nosso interior estiver bem arrumado, que é como quem diz, o nosso coração, é lá que seremos sempre bem acolhidos e onde nos sentiremos bem. Pois é dentro de cada um de nós que reside tudo o que somos. E se formos inóspitos de nós mesmos e não nos sentirmos bem com o que somos, como é possível sermos felizes?

Tanto quanto posso testemunhar, somos seres complexos, com defeitos, imperfeições, medos, inseguranças e circunstâncias de vida, muitas delas, feitas de dissabores. Considero, por isso, que, para além do amor, a aceitação é o ponto de partida para a felicidade, para não fugirmos de nós, para nos abraçarmos tal como somos, com amor-próprio. Eis um requisito difícil, que exige muita força, disciplina, foco e trabalho interior, mas uma porta sempre escancarada para que possamos entrar. Basta querer…

A partir do momento em que nos recolhemos em nós mesmos, para fazer arrumações interiores, separação de lixos e os TPC, e formos aprendendo a viver com os nossos medos, com a consciência de que estes não passam de armadilhas do pensamento, aceitando as nossas circunstâncias, enfrentando-as com compaixão e resiliência e transformando-as em oportunidades para passarmos para outros patamares de crescimento, estaremos sempre no lugar mais bonito e seguro do mundo. Na nossa casa. Em nós mesmos. E aí sim, teremos todas as condições para viajar para qualquer parte fora de nós onde certamente será encontrada beleza sem fim, em plena sintonia com o nosso interior, com a beleza do nosso ser, em correspondência com as verdadeiras motivações que nos fazem querer viajar para qualquer parte do mundo.

Penso eu que ir e vir é apenas uma desculpa para chegar… Se a nossa casa estiver bem arrumada, mesmo com algo de que gostamos menos, mas que aceitamos, viajar – que é sempre tão bom – será uma forma de não só conhecermos as belezas do mundo mas também de nos conhecermos um pouco mais. Quer seja na praia, na montanha, na cidade ou na aldeia, se estivermos bem por dentro, lá fora sentir-nos-emos sempre em casa, mas com uma percepção mais alargada do nosso lugar e dimensão no mundo e na vida.

Por isso, nós somos o melhor lugar do mundo, e regressar a casa sabe sempre tão bem.

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Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense, casada e mãe de dois filhos, os seus amores-para-sempre. Residente em Coimbra e licenciada em Comunicação Social, inspira-se nas pessoas e em tudo o que a vida oferece. Enveredou pela comunicação das organizações, área em que actualmente exerce a sua actividade profissional. Ler {livros e o mundo} e escrever aqui e ali são alguns dos seus passatempos favoritos. Encara o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade...

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