A vida é uma aventura constante

Se tivesse o condão e a magia para fazer retroceder o tempo queria fazer acontecer uma vida diferente da que tenho vivido. Não que a que tenho não seja satisfatória, mas se me fosse dada essa possibilidade ia aproveitar para dar outro rumo ao meu destino.

Seguia outro curso na universidade e casava-me com o namorado da infância depois de ter tido outras relações que em nada me acrescentaram. Ele, sempre educado e correcto, seria o marido ideal e juntos faríamos as tais viagens que em miúdos tínhamos decidido.

Cada um trabalhava numa área diferente e conseguíamos a proeza de nunca levar questões profissionais para casa nem discutir sobre coisa alguma. Era a paz que reinava naquela casa e assim éramos felizes.

Mais tarde teríamos quatro filhos que seriam tão diferentes entre si como se esperava. A minha paciência seria superior aos dos chineses que sabiam construir torres de vários metros com palitos de tamanho menor.

O pai ficava com eles, quando eu me tinha de ausentar para honrar os convites das minhas conferências. Nesses dias a cumplicidade entre eles aumentava e quando eu voltava faziam-me sempre surpresas. Quando o pai não estava enchíamos a casa de cães e gatos abandonados e conseguíamos sempre donos para eles.

Quando se fossem embora de casa, eu e o meu marido, seríamos novamente namorados e tínhamos a casa toda para namorar como se fosse a primeira vez. Voltávamos às nossas viagens e agora experimentávamos novas sensações. Nada nos escapava e seríamos uns aventureiros.

Os netos gostavam de nos visitar e aprendiam imenso connosco. Faziam as perguntas mais curiosas e engraçadas que se possam imaginar e tinham toda a liberdade para se portarem como entendessem. Os avós servem para estragar, mas com moderação.

Quando os amores começassem a funcionar e apertar ou falhar, era comigo que se vinham aconselhar. Eu era a cúmplice de todos e os segredos ficavam bem guardados. Conhecia os namorados e namoradas e eram sempre bem recebidos na minha casa.

Só lhes pedia que, no dia em que me fosse da terra para sempre, me fizessem um funeral viking e que me deixassem ir para onde a água pendesse. Não queria ficar aprisionada debaixo da terra e assim podia continuar a viajar para sempre.

Gostava de chegar a muito velhinha, cheia de rugas, mas com lucidez e ter ainda a capacidade de avaliar as mudanças que a sociedade estava a viver. O meu marido estava sempre presente e a felicidade era o nosso mote de vida.

Como a máquina do tempo não existe e a história estava demasiado lamechas, podia escolher ser uma mulher muito independente e ter relacionamentos com pessoas mais novas para me manter sempre jovem. Ou então ter um marido tão conservador que ia à missa todos os dias. Para se dizer disparates qualquer parvoeira serve.

Para ser sincera, o que me dava mesmo prazer era não ter de me preocupar com coisas mesquinhas e fúteis que me gastam as energias e me obrigam a perder tempo. A vida é um bem maior e deve ser aproveitada em doses tão grandes quanto possível.

Na verdade, a morte é a única parte que não me incomoda. Deixar de existir deve ser tramado, mas por ora quero continuar a estar, a ser, a sentir, a viver cada momento como se a festa da vida nunca fosse acabar! E para isso estou sempre pronta e bem-disposta!

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