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A vaidade e a vaidade

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A vaidade sem substância é talvez, um pecado maior que a vaidade em si mesma.

Da mesma forma que, o elogio ou o autoelogio pode parecer mal, sobre a vaidade pesa o crivo de “não aceitável” mesmo quando é impossível não vê-la, seja ela física ou de alma.

O mal não está na vaidade em si, como é óbvio, está sim na forma como é utilizada por quem a detém. É uma ferramenta de poder como outra qualquer que pode ser mal utilizada, penso que quanto a isto ninguém terá dúvidas. O que me causa espanto é pensar como é difícil, culturalmente no nosso país, aceitar que o próprio reconheça a sua beleza, inteligência, força, trabalho ou qualidades como um ponto forte e uma mais valia da sua existência e não possa utilizá-lo em seu benefício ou como elogio. Ainda existe um preconceito gigantesco no elogio e no autorreconhecimento, como se fosse um segredo que devemos guardar para não ofender os outros ou amedrontá-los.

Continuamos a viver uma certa pequenez de alma, porque baralhamos o reconhecimento com os egos exacerbados. Também é verdade que pode degenerar nisso, num ego que se inflama e não sabe quando parar mas de forma natural é preciso que se reconheça: Sou bom nisto! , o texto que escrevi é excelente, estou mesmo bonita, sou uma pessoa forte e disciplinada, saber que as pessoas veem ter connosco porque somos bons conselheiros, tenho boas notas porque estudo e sou bom estudante etc etc. O culto da vergonha não é para estas coisas, não nos devemos sentir mal por nos sentirmos bem e grandiosos. A vergonha é  agirmos incorretamente de forma consciente ou fazermos mal gratuitamente.

Não lhe vou dizer que está bonita, porque fica vaidosa!  – É uma idiotice! Se a pessoa está bonita, porque não lhe dizermos isso?!? Vamos dizer-lhe quando? Quando a parecer à nossa frente toda desarranjada e ai, de forma verdadeira não vamos ter problemas de dizer-lhe: Credo, estás um farrapo! Não!!! Tem de haver equilíbrio na verdade e na justiça das palavras. A igreja convencionou os pecados que estão tão enraizados na nossa pele, que já nem conseguimos ter o discernimento de refletir pela nossa cabeça! Errado é alimentar o medo de nos sentirmos bem e reconhecermos isso mesmo, de nos mostrarmos vaidosos ou orgulhosos dos nosso triunfos, porque isso está reservado para os heróis e nós somos apenas pessoas normais!

Somos todos pessoas normais com qualidades, com aspetos que se destacam, com defeitos e com dias bons e maus. Mas também temos momentos na nossa vida em que sabemos que estivemos um bocadinho acima do que é habitual e que isso nos elevou. Não é vaidade mostrar isso ao mundo, é reconhecimento! É ter olhos na cara e capacidade de aproveitar o momento com os louros e louvores que ele merece. É a substância que a vaidade precisa para se legitimar e que nos dá o direito de exibi-la ao mundo, só porque MERECEMOS.

Photo by Obi – @pixel6propix on Unsplash

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Sofia Cortez
Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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