A rede massiva

O que outrora poderia parecer uma quimera comunicacional é hoje uma poderosíssima realidade que elimina fronteiras físicas, aglomera culturas e suprime espaços físicos e temporais. O futuro da Internet pode ainda ser incerto, mas a discussão em torno do que entretanto já modificou nas sociedades contemporâneas continua na ordem do dia.

Desde a aurora do jornalismo do cidadão até ao boom das redes sociais, passando pela banalização informativa, o gigante da comunicação é alvo de considerações várias acerca da sua utilidade e consequente risco. A informação que faz circular sem freio é o indubitável alvo quando importa reconhecer o impacto valorativo de uma ferramenta tão poderosa, e ao mesmo tempo tão destrutiva, como a Internet.

Agregador de notícias que se auto-alimenta, onde a informação corre desenfreada, com pouca ou nenhuma filtragem; este tem sido um denominador comum na discussão em torno do que significa o extravio de poder, da comunicação social tradicional para o cidadão comum. Steven Johnson, autor de Future Perfect: The Case For Progress In A Networked Age, argumenta a favor da eliminação de hierarquias, sustentando que os utilizadores são hoje ‘pares progressistas’.

É incontestável: nunca a sociedade se viu tão imbuída do direito consagrado à informação conforme inscrita, ipsis verbis, na Constituição. Mas poderá a livre circulação de informação esvair-se de significado substantivo? A notícia revista e refeita poderá fornecer novas perspectivas, e até activamente contribuir para o escalonamento da formação de opinião informada e sem viés. Por outro lado, a reciclagem noticiosa e, mais determinante ainda, a falta de filtro e o anonimato do utilizador, poderão vir a representar a implosão de um sistema comunicacional exponencialmente liberal, conforme se sustém a Internet.

É um símbolo incontestável da democracia, derrubou o quarto poder e mantém-no sob permanente escrutínio, ameaçando o tradicionalismo do jornalismo. Johnson refere que é algo de inaudito, o nível de fundamento e imparcialidade com que o público massificado assume agora uma determinada posição ideológica, no que à política diz particular respeito.

Futuro_2Facto: nunca antes esteve o cidadão tão próximo do poder político. A interactividade potenciada pelo admirável novo Mundo tecnológico facilitou o nascimento de uma nova era política, social e até humana. Com a Internet assistimos à concretização da unidade cultural, ao esbatimento de tudo o que até então diferenciava as sociedades entre si. Com a acessibilidade ao conhecimento surgiu também a difícil categorização e filtragem, o anonimato da globalização pode mesmo vir a ser sinónimo de colapso, e a ameaça é interna e transversal.

A partir do computador é hoje possível fazer, virtualmente, tudo. Basta um curto texto opinativo, um vídeo de alguns segundos, ou até uma aparentemente inofensiva fotografia para se ser catapultado para o seio daquilo que constitui a opinião pública. É, na verdade, impreterivelmente, omnisciente e omnipresente, a Internet. Não saberíamos, por hora, viver sem ela, mas até onde nos levará esta permanente transformação, e que demais consequências virá a impor a aldeia global?

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