A (in)fertilidade feminina

No dia 26 de Maio, foi publicado um artigo, na revista Science, escrito por um grupo de cientistas portugueses que desenvolveu um trabalho sobre a infertilidade feminina. Este grupo é constituído maioritariamente por mulheres que trabalham, em equipa, no Instituto Gulbenkian da Ciência e esta descoberta vai permitir abrir uma nova esperança para muitas famílias. A palavra chave é centríolo, que é um organelo presente no citoplasma das células eucariontes, as mais complexas, que têm núcleo devidamente organizado. Tem formato cilíndrico, são constituídos por 9 microtúbulos triplos, situam-se no centro da célula, estão dispostos em pares e têm capacidade de auto-duplicação. Estes participam da organização do fuso miótico e na formação dos cílios e flagelos, que são os apêndices das células que permitem a sua locomoção. A função destes organelos é orientar a divisão do material nuclear durante a divisão celular.

Na fertilização, o embrião recebe a informação genética do pai e da mãe, mas os centríolos são apenas transportados pelo espermatozóide, uma vez que o óvulo perde estas estruturas na altura da sua formação. O centríolo tem um revestimento que o protege e é perdido no interior do ovócito e quando estas estruturas não são eliminadas a mãe é infértil.

A investigação foi feita na mosca da fruta, comum nas pesquisas científicas. A perda do revestimento do centríolo é provocada por uma proteína chamada polo, que tem função reguladora. Esta descoberta é o primeiro passo para mais frentes, conforme afirma a responsável pela investigação. Os centríolos são críticos na divisão celular e na formação das células ligadas a processos sensoriais como a visão e o olfacto. Outra parte está relacionada com os tecidos musculares e é necessário saber quais as suas consequências para a sua regeneração.

A reprodução sexuada está dependente da ocorrência de dois fenómenos complementares: a meiose e a fecundação. A meiose é um processo de divisão celular que ocorre para a produção de gâmetas e que acontece nas gónadas. O DNA é o material que contem a informação genética e a sua replicação faz-se por um processo semiconservativo, o que assegura a consistência da sua estrutura. Quando uma célula se divide é necessário que a molécula do DNA se replique permitindo que cada célula filha herde uma cópia de toda a informação genética que a célula mãe possuía. As características perpetuam-se de geração em geração celular.

Em estudos anteriores, soube-se que as células cancerosas contêm centrossomas a mais. Os centríolos estão instalados nesses organismos, o que acaba por ser negativo. Em células normais, cada centrossoma tem um par de centríolos e nas cancerígenas encontram-se mais do que o normal, chegando a dez ou até um número superior.

Compreende-se assim, a importância desta descoberta, não só para a comunidade científica, como também para a sociedade em geral. Estes avanços científicos terão consequências positivas na vida do dia a dia, permitindo resolver problemas e encontrar soluções associadas a outros campos. Esperamos que a continuação dos trabalhos nos consiga dar respostas rápidas sobre as inquietações que todos temos. A saúde é um bem maior, mas, como se sabe, só lhe damos valor quando a perdemos.

É de louvar o trabalho desta equipa que não desiste e que, agora que encontrou a “alavanca” do problema, vai continuar a averiguar até chegar à conclusão final. Para eles vão os meus parabéns e desejos de continuação de excelente trabalho.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

The Silkworm

Next Post

Quando te vi na janela

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Dias digitais…

Nos dias de hoje, sempre que queremos conhecer um conceito ou saber um qualquer significado,  seja ele qual for,…

Outubro rosa

Outubro é mês de Outono. Este ano anda meio esquecido ou simplesmente prolongou as férias. O calor assim, sem…