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A Grande Depressão

Não, este artigo não é sobre os efeitos da crise económica capitalista dos anos 30 do século XX. Este texto é sobre uma das grandes doenças mentais do final do século XX e inícios do século XXI, a Depressão.

Surgem de fininho e vão-se tornando enormes, gigantes… Os pensamentos negativos que surgem num dado momento da nossa vida. Instalam-se de tal forma que nos entorpecem, nos deixam dormentes, letárgicos, apáticos, sem reação. São um dos sintomas mais característicos da Depressão.

Aquela que nos deixa sem esperança perante o mundo, sem reação aos acontecimentos, sem forças e motivação para lutar. Isto, porque na realidade não sabemos contra o que lutamos. Viver com Depressão é, muitas vezes, não compreender de onde ela vem, porque surge, com que motivo. É olharmos para trás e não conseguirmos encontrar a razão de nos sentirmos assim.

Estar deprimido é viver os momentos com uma certa apatia. Rimos, mas sentimos que o nosso riso é falso, que a felicidade que transmitimos com aquele riso não existe. Contudo, não compreendemos porquê… Vivemos, mas sem sabor, sem sentido, arrastados pela corrente da vida, como um pequeno barco que não tem remador e que apenas navega sem destino, transportado pela corrente das marés.

Deixamos de ter objetivos, propósitos, as atividades de que gostávamos deixam de ter sabor, de nos dar prazer. Estar com outras pessoas é aborrecido, torna-se penoso. Estar sozinho é sinónimo de uma solidão enorme e uma tristeza angustiante, em que somos engolidos pelos pensamentos negativos que são uma névoa espessa que nos envolve.

“Não prestas para nada. Não fazes nada de jeito. És um fracasso. Os outros são superiores a ti. Não serves para isto. És um estorvo. Não fazes nada de jeito. Para que existes? Se desaparecesses ninguém ia dar pela tua falta. Não fazes cá falta.”. Quantas vezes pensámos isto de nós próprios? Quantas vezes nos julgamos por um padrão de exigência que nos impomos, mas ao qual os outros são alheios? Porque desculpamos os erros dos outros, mas não os nossos?

Quando estamos deprimidos, há uma tendência subtil, para numa situação captarmos apenas os aspetos negativos da mesma. Aquela situação pode ter sido bem-sucedida, mas revemos vezes e vezes sem conta na nossa cabeça para encontrarmos a falha. A palavra que não devíamos ter dito, uma atitude que não devíamos ter tido, aquilo que não fizemos e devíamos ter feito… E com isto, que por vezes são pequenos pormenores, coisas insignificantes, apenas arranjamos mais e mais argumentos para validar o quão maus somos, o quão falhados estamos, o quanto não servimos e somos miseráveis.

A Depressão é adormecer as emoções, é querermos sentir e só existir angústia. Termos consciência do nosso estado, relacionar os nossos pensamentos negativos e procurar ajuda especializada são a chave para encontrar novamente o sentido da vida. Por isso, se se identifica com aquilo que foi descrito durante este artigo, procure ajuda e permita-se voltar a sentir.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Sandra R. Santos

Sou Psicóloga Clínica com formação em Neuropsicologia, Coaching, Mindfulness e Parentalidade Positiva. Tenho experiência laboral e formações nacionais e internacionais, bem como investigação científica reconhecida e validada, tendo inclusivamente um livro publicado sobre a Adolescência e a relação familiar com os pais. Para além de terapeuta, sou também Formadora, pois gosto de contribuir para o conhecimento e formação da população. Também por esse motivo, decidi escrever textos sobre a Psicologia e a Saúde Mental como forma de as aproximar da população e ajudar a derrubar alguns mitos que ainda persistem. Nos meus tempos livres sou completamente apaixonada por música, cinema, literatura e outras atividades culturais. Gosto de passar tempo com a família e de apreciar um bom momento entre amigos.

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