A distância maior que um braço, por favor!

Ser introvertido ou extrovertido é uma característica de personalidade inata, que embora se possa trabalhar e desenvolver, para conseguir esta adaptação é necessário e exigido trabalho pessoal que implica sacrifício, empenho e treino como de se tratasse de uma atividade física, quer para os extrovertidos passarem a ser mais comedidos, como aos introvertidos passarem a ser mais expansivos.

Considero-me uma pessoa introvertida. Por muito que por vezes até possa parecer aos outros extrovertida, sou introvertida, interajo com os demais no âmbito em que intervenho mas faço-o num trabalho constante de tentativa de me adaptar ao meio em que estou.

Ser introvertida não é ser triste, estar só ou ter dificuldade de se expressar, mas sim alguém que tem interesses mais virados para os pormenores e para as emoções, alguém que observa mais do que fala, alguém que aprecia o silêncio, a calma, e a solidão (atenção ser solitário é diferente de ser só), e que precisa deste ambiente mais sereno para se equilibrar e ajustar no dia-a-dia.

Ser introvertido é aquele que se apercebe dos detalhes, que sabe a cor preferida e os gostos, que vê o bolo todo, e identifica mais facilmente o que está ocultado por detrás da aparência dos camuflados extrovertidos.

Um introvertido é adepto do lema “poucos, mas bons”, prefere grupos menores e nestes pequenos grupos é capaz de muitas vezes atuar como extrovertido e de quebrar o gelo, atirar temas para a mesa, de criar elos de ligação entre os presentes, de atuar como moderador e facilitador conversas, nem que para isso tenha que ter atitudes mais tontas ou ridículos. Um introvertido, adaptar-se e ser extrovertido em ambientes mais íntimos, é diferente de um extrovertido camuflado, que parece o amigalhaço do sítio, confiante e bem disposto, mas que na realidade tenta ocultar a própria insegurança de inadaptação social.

Em ambiente profissional ou social, um introvertido não admite que alguém tente ultrapassar a barreira do profissional, antes que considere que existam motivos para isso. Para um introvertido não existe pior do que alguém achar que pode invadir o seu espaço pessoal e emocional.

Todos nós, introvertidos e extrovertidos, temos um raio de interação espacial que é o que define a forma como nos relacionamos:

  • Relações externas, circunstanciais, afastadas – quando nos mantemos a mais de 1.2m de distância, ou mantemos conversas ocasionais, e usamos o típico quebra-gelo do tema do estado da meteorologia : “Está um frio de rachar, não está?!”
  • Pessoais, quando já estabelecemos um nível de convivência e relacionamento interpessoal – mantemo-nos a 1 braço de distância e mantemos conversas, personalizando alguns factos, mas sem entrar em detalhes.
  • Intimas, quando existe proximidade pessoal, seja por permissão de partilha do espaço físico, seja por criação de laços de intimidade pessoal. A menos de 1 braço de distância, e partilhamos medos, receios, sonhos e aventuras.

Pessoas equilibradas, que se respeitam e respeitam o interlocutor, não usam como desbloqueador de conversa no elevador, temas como a sua última infecção urinária, pois não?

Então mantenham-se a distância maior que um braço por favor!

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