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#Mental_Summer

Neste planeta habitam os seres mais capazes e eficazes da criação natural, os seres com mais capacidade racional, com maior aptidão de evolução e ambientação crónica, individual ou em “bando”.

Ao “bando” chamamos sociedade.

E é em sociedade que se apresentam as milhares possibilidades de ratificação da espécie, que se constroem culturas, credos, personalidades e evolução por si só.

Na construção da nossa sociedade, muito evoluiu e se cruzou. Os impérios ganharam força, reinos reinaram durante muitos anos, a política aprova e rejeita, guerras venceram e perderam, vidas jogadas ao chão pela conquista, pela dominação, pela continuidade dos próprios egos e ideais.

E, presentemente, quando finalmente algo de estável se apresenta, o ser humano não conseguiu manter-se quieto, abster-se de conquistar o que já tinha sido conquistado, de focar as suas forças na evolução e não na destruição do planeta onde habita.

O grande e impiedoso trampolim que levou a várias destas situações, foi o dinheiro. A pior criação do ser humano.

Todos nós precisamos dele para sobreviver, num mundo capitalista em que a força do trabalho é remunerada por moedas e notas de papel. Diz-se que, quanto mais notas se tem, mais rico se é. Claro, tudo isto tem a ver com perspetivas e, na minha, o mais rico é aquele que sabe socializar, que se integra, que se informa e que luta pelos direitos mais dignos e próprios para a própria evolução.

Com isto, e após raízes serem bem submersas no núcleo da Terra, a racionalidade trouxe não só a consciência, como a inconsciência. E é neste parâmetro que me quero focar.

Todos temos consciência de como o mundo funciona, de como as coisas podem fluir o mais perfeito possível, de como podemos ser individuais e sociáveis ao mesmo tempo, sem magoar ou interferir com o outro.

Com a consciência, veio a importância de classificar e dar nome aos problemas característicos da nossa mente. Dar-lhes contexto, dar-lhes nomes, dar-lhes terapias e até hospitais especializados.

Muito se desconsiderou a saúde mental. E, honestamente, foi também um dos maiores erros da nossa sociedade.

O corpo humano funciona em simbiose, do físico ao mental, sendo que quando um se desequilibra, a outra parte também sofre consequências. É um sistema complexo e interligado que funciona por cabos e botões, que por vezes desligam-se ou são corrompidos. Portanto, quando decidimos cuidar de nós, temos de cuidar do corpo e da mente.

Sinto que ao longo do tempo, a consciência pela saúde mental veio à tona, como se fosse um grande peixe na rede do pescador. E penso que isto aconteceu porque queremos tanto a perfeição em todos os sentidos, que realmente só faltava a perfeição mental.

Mas, sobre este tema, a perfeição mental não é alcançável (pelo menos da perspetiva médica e profissional), não só porque perfeição é um termo abstrato, mas porque depende sempre da individualidade de cada um, para a definir. Quando retocamos a cara, quando colocamos uma prótese, quando nos arranjamos com maquilhagem, quando nos aperaltamos com roupas bonitas, o corpo fica bonito, a aparência é bem vista aos nossos olhos, e aos dos outros, mas a mente não se veste, não se maquilha, não se aplica botox… trabalha-se. Constroem-se barreiras, criam-se padrões, hábitos e rotinas mentais que fazem de nós os seres únicos que somos.

E foi, através das falhas destas obras de construção, que a sociedade decidiu interessar-se mais pela saúde mental, os níveis de ansiedade, depressão, psicoses, suicídio, entre outros, nunca foi tao alta, quando documentada. Isto acontece porque somos “a sociedade livre de pensamento, de aprovação alheia, de criação de regras e padrões standard de beleza, de julgamento de ações, liberdades, orientações sexuais, raças, credos, de fixarmos a nossa vida aos olhos dos outros nas redes sociais, de darmos aos outros todos os nossos detalhes e informações privadas para que o outro faça com isso, o que bem apetece. Foram opções que todos nós concordámos e somos felizes, aparentemente, com isso.

E aqui, nasce um problema. A aparência.

Aparentamos tanto para o mundo quando nem ao espelho, por vezes, nos conseguimos ver! E neste paradigma crescem os desequilíbrios, a ansiedade balança da cadeira e o resto, já todos nós conseguimos prever.

Com as “aparições” das doenças mentais, atualmente (e muito bem) falamos da saúde mental abertamente. Nas redes sociais, na comunicação social, em toda a fonte de informação encontramos todo o tipo de detalhe importante e benéfico para a nossa saúde mental. Só que… escala aqui mais um problema.

Cada ser, tem a sua individualidade, tem a sua maneira de lidar com os seus problemas, com as tristezas e as felicidades e de lidar com raivas e frustrações. Cada um de nós precisa de ser ajudado, quando se sente mal mentalmente, de uma forma individualizada. De uma forma particular e precisa, processo pelo qual só profissionais qualificados na área o são capazes. Psicólogos e Psiquiatras juntam-se em uníssono na tentativa de criar o ambiente propicio ao desenvolvimento e tratamento mental, individual. Temos de estar atentos aos workshops, aos coachs, aos conselhos, e às terapias alternativas, porque o que pode fazer sentido terapêutico e obtenção de resultados para um, não significa que tenha o mesmo efeito em nós.

Na terapêutica mental, a individualidade é a toalha que estendemos na areia, o sol o profissional especializado que nos vai ajudar e o bronze é o resultado da terapia individualizada que necessitámos.

Hoje em dia, muito ouvimos nas redes sociais sobre este tema, por exemplo. E ainda bem… de todos os males que as redes sociais têm (na minha opinião), que seja utilizada a maior plataforma de informação para sensibilizar para um problema que é tão sério quanto os nutrientes certos que precisamos de ingerir, o antirrugas perfeito para a nossa pele, a roupa mais apropriada e actual fashion que podemos encontrar e vestir, para sermos saudáveis, “perfeitos” e bonitos.

Na minha perspetiva, a falta de amor próprio, a explosão de aprovação alheia, a desvalorização da opinião própria e do aspeto físico naturalmente adquirido, a rigidez cultural e social, a padronização do que é normal e do que não é, levou aos números e estatísticas que temos, atualmente, na afetação para com as patologias mentais.

E à medida que fomos desconstruindo, racionalizando e comentando o que enunciei, o mundo ficou confuso, ficou desordenado e desequilibrado. Não consigo associar ou perceber o porquê, mas sinto que a sociedade tendeu a colocar tudo num saco e o primeiro papel informativo que sair é o que se pretende falar naquele preciso momento, principalmente e se possível, em live.

E desequilibramos ou desconsideramos o outro, por vezes de uma maneira rude, egoísta e egocêntrica.

Porque um sábio um dia me disse: “A liberdade do outro termina, quando começa a minha.”

Ou seja, não se interligam. A liberdade é individual, e quando o tema “saúde mental” veio à tona, toda a sociedade decidiu manifestar-se, e bem! Da maneira que cada um achou ser a sua melhor abordagem, o seu cavalo de Troia para se integrar no atual assunto.

Mas, na minha individualidade e liberdade que me foi conferida, sinto que sim… fala-se de saúde mental de uma maneira evolutiva positiva, mas penso que a sociedade ainda não se focou nas soluções terapêuticas mais apropriadas para cada um, não respeita a abordagem e decisão do outro, desconstrói e desfoca a opinião do outro e aponta os dedos em todas as direções. E assim, nasce uma sociedade doente, crítica e plena em desrespeito.

Nota: Este artigo foi formulado segundo o Novo Acordo Ortográfico.

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