Nesta experiência, somos convidados a imergir no mundo do célebre pintor holandês Vincent Van Gogh.
Somos presenteados com vídeos animados de cerca de 150 pinturas do criador dos famosos girassóis, projetados nas abóbadas e paredes da Alfândega do Porto, a 360º, com a envolvência de uma banda sonora avassaladora, que conta com a grandiosa Édith Piaf.
Com a Direcção Artística de Nuno Maya e Realização de Massimiliano Siccardi, esta exposição é ela própria uma verdadeira obra de arte.
Sentada no chão frio da Alfândega, vivenciei a experiência de estar dentro das pinturas de Van Gogh, que vão sendo reveladas sequencialmente, o que elevou os meus sentidos.
A conjugação da pintura, da música, da poesia e da tecnologia, tudo perfeitamente coordenado, com momentos de tensão, esplendor e reflexão, transporta-nos realmente para as inquietações do artista.
À medida que as pinturas iam sendo exibidas nas grandes telas e com toda a envolvência da banda sonora, ia compreendendo uma história que me tocou de forma comovente.
As obras do artista acabam por ser retratos das suas vivências.

Os campos e os girassóis que pintava retratavam os lugares por onde passou. A obra “O Quarto de Vincent em Arles” é uma reprodução realista do minúsculo quarto onde o pintor viveu em Arles. O mesmo se diga com o seu auto-retrato.
Todas estas obras e a sequência com que passavam, contavam a sua história de vida, o que me fez sentir a dor e a solidão com que a viveu. Rejeitado na sua época pelos seus pares, foi considerado louco e fracassado, quando na verdade era um visionário, tendo sido o seu trabalho reconhecido décadas após a sua morte. Todo este percurso levou a que tirasse a sua própria vida.
Fez-me questionar que existiram e existem pessoas verdadeiramente extraordinárias que por vezes são mal compreendidas por pensarem “fora da caixa” para o seu tempo e não são verdadeiramente valorizadas.
Foi o que, infelizmente, aconteceu com este pintor. Não viveu o suficiente para ver a sua obra reconhecida pelo grande artista que foi.
Após a retratação soturna da vida de Van Gogh, através da exibição das suas pinturas, foi nas atividades interativas que descomprimi, as quais percebi que foram criadas para dar um lado divertido à coisa.
Fiz esta experiência com o meu sobrinho de 11 anos e foi super divertido vê-lo vestido de Van Gogh, sentado a pintar (diga-se, simular uma pintura) com o pano de fundo da célebre obra “O Quarto de Vincent em Arles”, como se ele próprio estivesse naquele espaço.
Assistimos ainda, em bancos de palha e com a envolvência de girassóis gigantes, à projeção da atuação de um ator, interpretando Vicent Van Gogh, que declama o poema “Última carta de Van Gogh a Théo”, de Al Berto.
Esta parte da experiência foi mais airosa, demonstrando um Van Gogh mais divertido, e diria até, trapalhão (atendendo a que tinha problemas com o álcool).
Foi realmente, para mim, uma experiência diferente pela envolvência que toda a exposição proporciona, e que recomendo.
A experiência “Living Van Gogh” continua em exposição, pelo que, quem quiser ainda a poderá vivenciar.