É este o título do documentário que poderão encontrar no Netflix sobre o escritor Henry Miller.
Confesso que documentários biográficos são o meu género favorito, fascina-me conhecer a vida das pessoas que admiro, especialmente os artistas. Por gostar da escrita do Henry Miller, apesar de só ter lido o livro “Sexus” deixei que a curiosidade me levasse até este documentário. Os escritores da beat generation, como o Miller ou Kerouac têm uma áurea especial à sua volta de obscenidade e inconformismo.
Tinha muita curiosidade em saber mais sobre este escritor, identifico-me com a forma como escreve e gosto particularmente do estilo despudorado das suas palavras e afirmações. Se é para dizer o que pensa e com isso chocar, que seja assim! Mais do que causar choque agrada-me a postura de quem diz o que tem para dizer sem floreados.
Por outro lado por se tratar de uma figura controversa o documentário despertou-me curiosidade, não é cansativo nem muito denso. Dá para ficarmos com uma ideia geral sobre o escritor e a sua vida e talvez com uma imagem mais simples dele. Confesso que tinha uma ideia um pouco diferente (e não querendo alongar-me para não estragar o impacto) os artistas têm uma boa dose de loucura associada que, na maioria dos casos esconde uma imensa fragilidade e sensibilidade.
Talvez tenha sido essa a maior descoberta de todo o documentário! Um homem que é mais do que escreve, que teve uma vida cheia de tropeções mas nunca perdeu o espírito e conseguiu manter-se fiel a si mesmo durante toda a vida. Achei este aspecto notável a par de um lado emotivo que foi claramente o motor da sua vida.
Podemos não gostar, podemos nem sequer concordar mas o valor do Henry Miller como escritor e personalidade da historia da humanidade é incontornável! Deixou um legado importante que durante a sua vida defendeu. Os destemidos que enfrentam sociedades fechadas pagam um preço muito alto e ele não foi excepção. Se em vida o reconhecimento foi tardio que o seu trabalho e a memória não nos faltem para a ovação que tanto merece.