Everybody Hates Chris (2005-2009)

Dude, you are so in there!

– Greg

Esta série de comédia acompanha um rapaz chamado Chris, que tenta sobreviver entre uma escola que o discrimina e uma família disfuncional, naquele que é um fiel retrato da infância do famoso comediante Chris Rock.

Everybody Hates Chris (inteligente paródia de uma outra sitcom chamada “Everybody Loves Raymond”) é uma série muito leve, divertida, que sabe aquilo que é, nunca tenta ser mais que isso e por isso resulta nos diferentes setores que fazem de uma série uma boa sitcom. O ponto forte da série são sem dúvida as suas personagens, com personalidades fincadas e muito diferenciadas, entre o pai que não gosta de gastar um cêntimo a mais do que o necessário e que tem dois empregos, a mãe que se sustenta nos ordenados do marido e que é super-exigente, passando pela filha que é super mimada, até ao irmão que é muito mais “estiloso” que Chris, todos estes “contra-pontos” são uma mais valia do porque é que a série, na sua simplicidade, resulta tão bem.

De salientar o cérebro por detrás de todo o conceito, o fantástico comediante Chris Rock que embora não faça parte da série como personagem , participa em todos os episódios pelo poder da narração, e a verdade é que, muitas vezes, os momentos mais hilariantes resultam dos seus comentários como narrador, enquanto acompanhamos o jovem Chris a tentar ultrapassar a aventura de cada dia.

As interpretações são excelentes com especial realce para Terry Crews como Julius e Tichina Arnold como Rochelle, para além das suas personagens serem os dois pilares da família, considero os dois atores os pilares da série como um todo, e oferecem sempre ótimas atuações (por vezes propositadamente exageradas) que garantem o fator entretenimento. Tyler James Williams não me chama tanto a atenção pela sua interpretação, mas é perfeitamente competente como o inocente Chris que sofre sempre os maiores azares desta vida

Por fim, realçar também Greg, uma personagem que parece à primeira vista dispensável, mas acaba por ser um dos pulmões da série nas suas quatro temporadas.

Entre personagens inesquecíveis, um humor de nível muito elevado e um cruzamento de circunstâncias com um alto nível de entretenimento, esta é uma série que não sendo uma obra prima, sabe o que é e resulta como poucas.

* CUIDADO COM SPOILERS *

Uma série como esta não tem propriamente “spoilers” quase possíveis, em pouquissimos momentos a série toma um caminho dramático. Quero, ainda assim, referir-me ao “polémico” final, que foi algo mal entendido por alguns espectadores.

A série pretende retratar a infância de Chris Rock até este seguir a sua carreira profissional, e no último episódio “Everybody Hates the G.E.D.” Chris descobre que tem que repetir de novo o ano e decide abandonar a escola para se tornar um comediante. No entanto para ter o seu diploma Chris precisa de passar num exame, e quando os resultados deste exame chegam, a família está toda reunida num restaurante e a imagem fica a preto, isto é claramente uma homenagem e uma sátira ao famoso final da série “The Sopranos”, mas ao mesmo tempo é também uma demonstração de que não havia mais nada para contar.

A série pretendia retratar a infância e o caminho até este decidir ser comediante e foi precisamente isto que fez, a ideia de “não mostrar o resultado” é precisamente porque a partir daqui a história já é sabida e não é o que a série queria retratar.

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