O que fazer com os nossos dias

Uma das coisas que mais aflige o ser humano é a maneira como “gasta” o seu tempo, ou pelo menos de que forma nos conseguimos ocupar para não nos sentirmos mal connosco mesmos. Acho que esse aspecto é muito interessante, nomeadamente o facto de, porventura, ser mais importante para nós, ser humanos integrantes de uma sociedade, sentirmos que somos produtivos – a atenção que o conceito de produtividade é imensamente variável – do que propriamente o sermos. Ou pelo menos garantirmos que o somos. A pergunta fundamental seria, talvez, de que forma garantimos isso (?), ou seja, será que é possível estarmos descontraídos com aquilo que fazemos no dia-a-dia, estando a fluir com a corrente, automatizada (da vida), e sentir que nessa descontracção conseguimos ser felizes? Duvido que haja alguém verdadeiramente feliz na sua apatia. Acredito que possamos ter a ilusão de que somos felizes, mas, no fundo, não passa de repressão de sentimentos atrozes do foro pessoal, da nossa interioridade mais profunda.

Posto isto, no trabalho e na nossa rotina é essencial sentirmos que há um propósito em tudo aquilo que fazemos. Nada é descartável ou em vão. Tudo faz parte. Nesse caminho é importantíssimo elevar a nossa responsabilidade ao patamar de líderes: líderes do nosso próprio mundo e caminho. Por exemplo, quem é que nunca se sentiu arrepiado, de forma quase doentia, com não conseguir fazer o máximo de tarefas possível? Basta uma falhar – não no resultado, mas na concretização – para tudo deixar de fazer sentido? Claro que não. Quando eu escrevo este texto, podia estar a fazer mil e uma coisas diferentes, mas decidi escrever e dar azo ao meu delírio criativo, e vou até ao fim com a minha escolha. Ser ou não “a melhor escolha”, se é que isso existe, só com o tempo e com a tranquilidade necessária vais perceber e chegar lá. O que importa é permitires-te a ti a errar, a ser humano, a não ser perfeito.

Acredito mesmo que nos devemos zangar connosco mesmos, quando nos sentimos insatisfeitos com a nossa conduta, mas martirizarmo-nos é uma perda de tempo. O mais importante é ter as ideias no lugar e seguir os nossos códigos de conduta. Conquistar o mundo, o nosso e o dos outros – e até mesmo a intersecção deles – com uma confiança desmedida em nós e no nosso caminho: o crescimento.

Crescer juntos? Sempre que possível.

Agora sai à rua… e dá o teu melhor para seres quem és.

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