Regras: objetivo ou castigo?

Dizem que as regras são para cumprir. E têm razão. Se não existissem regras e todos fizessemos o que nos viesse à cabeça, a sociedade seria uma verdadeira barafunda. Mas também há quem defenda que as regras existem para ser quebradas. De vez em quando, também é preciso. E é esta contradição entre cumprir e não cumprir que faz a sociedade avançar.

As regras foram criadas para manter a ordem numa sociedade. Quando criamos regras, o objetivo é cuidar/proteger alguma coisa e educar quem as segue. Há quem as respeite, há quem prefira quebrá-las. Mas, no fundo, há momentos em que quebrá-las é legítimo. Há momentos das nossas vidas em que sentimos que as regras criadas não foram as mais adequadas a determinadas situações. E, por esse motivo, é legítimo que manifestemos a nossa opinião e lutemos pela mudança, mesmo que isso implique quebrar uma ou outra regra. Mas não só. Quando se trata da vida humana e daqueles que amamos, esquecemos as regras. Quebramos tudo o que houver para quebrar porque, no fim, o amor é a coisa mais sem regra que existe. E é esse mesmo amor o maior motivo para infringirmos qualquer imposição.

Por outro lado, as regras são muitas vezes entendidas como uma arma para a educação. A prova disso são os pais. Um pai ou uma mãe tem sempre de colocar regras aos seus filhos. “Não chegues depois desta hora” ou “não deixes os brinquedos por arrumar” e se, eventualmente, a criança não cumpre a regra que lhe é dada, então sofrerá as consequências (castigos). A isto chama-se preparação para o futuro. Uma geração ensina à outra a importância de seguir regras por saber que aquela criança que nasce vai conviver com elas para o resto da sua vida. E, se não as souber seguir, será punida por isso. No fundo, são estas imposições que nos são ensinadas desde que nascemos, que comandam a vida e permitem que ela seja minimamente organizada. Porque sem regras, nada faria sentido. Afinal, se assim somos indivualistas, o que seríamos se elas não existissem?

Grande parte da população, cumpre as regras por recear o castigo. Tal como a criança que faz os trabalhos de casa por saber que, se não os fizer, não vai brincar a seguir. Desta forma, nem sempre respeitamos os limites da velocidade por zelarmos pelo nosso bem ou pelo do veículo ao lado. Às vezes, só o fazemos por temermos a consequência que surgirá se não o fizermos. A questão que fica no ar é “se as regras foram inventadas para proteger a sociedade, porque é que não as encaramos como um objetivo ao invés de um caminho para a punição?”

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