Com ritmo, passos do cinema

O musical, com destaque para a comédia musical, teve o seu esplendor nos inícios dos anos 30, configurando-se como símbolo do espectáculo do cinema americano. Enquanto espelho reflexivo da instituição de ordem em Hollywood, este género permanece no nosso imaginário, pelas danças e pelas cantigas tão sonantes.

O início do cinema clássico relaciona-se com o modo metafórico pelo qual o musical aborda a própria indústria que o criou. No início, as danças estavam a cargo de enormes grupos, mas consequentemente o protagonismo passa a ser dado ao par. Reconhecido por todos, Fred Astaire e Ginger Rogers são, sem sombra de dúvidas, esse par.

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O rei e a rainha do sapateado são referenciados como um dos casais com mais química no cinema. Lado a lado por 10 filmes, entre 1933 e 1949, os actores sempre se preocupavam em sincronizar os passos (e o ritmo) um do outro.

Ritmo Louco (1936), o quinto filme em que trabalharam juntos, seja talvez o melhor desta longa e carinhosa parceria – a par de Top Hat, realizado por Mark Sandrich, um ano antes, do qual faz parte a canção “Cheek to Cheek“. Todavia, este é aquele cuja relação entre as personagens de Astaire e Rogers é a mais comovente e encantadora possível.

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Este é um marco no cinema clássico de Hollywood, uma vez que as danças foram filmadas sob diferentes posições da câmara e a edição com poucos cortes – para dar o melhor método de trabalho contínuo dos protagonistas. Embora nenhum dos filmes em que colaboraram tenha sido nomeado aos Óscares, em categorias de interpretação ou argumento, a Academia não esqueceu o sucesso comercial deste filme, atribuindo-lhe o troféu de Melhor Canção Original, por “The Way You Look Tonight” (música de Jerome Kern, letra de Dorothy Fields).

“Never Gonna Dance” é descoberto pelo espectador como um número musical, entre duas escadas curvas, do qual sobressai o ambiente romântico conferido pelos movimentos de Penny (Ginger Rogers), nos braços de Lucky (Fred Astaire). A rodagem desta cena durou quase dois dias inteiros, dança após dança, após falhas de electricidade até ao sangrar dos pés de Rogers.

A fotografia a determinado momento deixa-nos de queixo caído. Mesmo sendo classificado para maiores de seis anos, o filme não deixa de surpreender pelo jogo de três sombras, com o corpo de Astaire. A cena, com prolongado período de gravação – 3 dias – é mais uma prova de como o gesto é um dos alicerces do cinema.VJ_comritmopassosdocinema_1

O empenho dos protagonistas é notável e mesmo que seja o quanto cliché, uma vez que em quase todos os filmes a personagem de Fred Astaire apaixona-se, à primeira vista, pela personagem de Ginger Rogers, continua a maravilhar os seus espectadores década após década, com a mágica dupla cinema-música.

Nota: ainda para o facto do filme ser realizado por George Stevens (1904-1975), no momento da sua carreira em que era considerado o preferido da RKO Radio Pictures.

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poster do filme

Ficha técnica

Ano de Produção: 1936/ Título português: Ritmo Louco/ Título original: Swing Time/ Realizador: George Stevens / Argumento: Howard Lindsay & Allan Scott / Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Victor Moore, Helen Broderick, Eric Blore, Betty Furness, Georges Metaxa/ Música: Jerome Kern e Robert Russell Bennett/ Duração: 103 minutos

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