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Terminator: Genisys

I’ll be back“, já dizia Arnold Schwarzenegger em 1984, quando vestia a pele de um andróide assassino enviado do futuro para “exterminar” a mãe de um messiânico líder da resistência humana. Nessa altura, estávamos longe de saber que Terminator (Exterminador Implacável), de James Cameron, seria um êxito de culto, um sucesso que lhe garantiria, neste preciso momento, quatro sequelas entre as quais um apogeu do cinema de acção em 1991. E o anterior culturista austríaco tem muito que agradecer a este franchising, que se adivinhava mais vivo que a sua própria personagem robótica. Terminador serviu como a escalada para o estrelado, cujos ecos perduram actualmente.

Com duas sequelas à frente, surgiu-nos em 2009, Salvation, o capítulo que inicialmente redefiniria um novo rumo da saga. Assinado por McG e com Christian Bale no protagonismo como o omnipresente John Connor, o filme nos remetia ao futuro muito vezes ilustrado pela saga e nunca o habitual modelo de “back to the past“. O êxito foi considerável, mas a obra não conseguiu vingar na mente dos adeptos e muito menos nos chamados “moviegoers“. Um dos pontos que se sentiu falta foi mesmo a presença do gigante Arnold Schwarzenegger, aqui somente representado por breves minutos num protótipo computorizado.

Seis anos depois, o regresso do astro motiva a produção de um novo capítulo, agora sob o título de “reboot” como manda a tendência actual de revisitar sucessos passados. Genisys é assim o filme moderno que mais se aproxima do modelo estabelecido pelo original de 1984, mas essa diferença visível de décadas é evidente na sua fisiologia enquanto filme de entretenimento. Os orçamentos aumentam e a hipótese de falha é cada vez mais restringida, há muito em jogo que somente marcas autorais e, nesse aspecto, Genisys de Alan Taylor (o responsável pela actual “nódoa negra” da Marvel Cinematic Universe, Thor 2), é isente de qualquer carisma e inovação, mesmo que o filme apresente novidades a nível de enredo, provavelmente demasiado forçadas para servir de sofisticação.

Não, Arnie, este não é o Exterminador de outrora!
Não, Arnie, este não é o Exterminador de outrora!

As linhas temporais são argumentos suficientes para algumas liberdades a nível de intriga, contudo, não esperem nada que realmente descola dos dois filmes originais. Genisys tem a “proeza” de se “espalhar ao comprido” por apresentar-se demasiado impaciente na sua narrativa e na criação relacional com o seu leque de personagens. O resultado, em conjunto com o excesso de CGI (visto que a primeira sequela de Terminator apresentava uma cumplicidade carnal entre efeitos visuais e stunts), é um protótipo de videojogo, nada de absolutamente excepcional no nosso panorama de entretenimento cinematográfico.

A juntar a isto, um amontoado de referências ao universo de Terminator para não soltar a âncora com os veteranos aficionados do franchising, ao mesmo tempo, apoderando-se destes para consolidar com as novas gerações que para aí vêm. Sentimos que este é um filme que encontra a sua razão de ser como regresso de Schwarzenegger, agora muito longe dos seus tempos áureos, apenas funcionando como um vinculo nostálgico, até porque grande parte da acção pertence às novas aquisições, entre elas uma heresia pura e dura, Emilia Clarke (da série Game of Thrones) a desempenhar sem exactidão, nem força uma das personagens femininas mais sólidas desde que o cinema virou para a acção frenética, Sarah Connor.

Constantemente, este novo Exterminador cita “estou velho, não obsoleto“, uma lei seguida por estes novos produtores para levarem uma saga com três décadas de existência para um novo formato. Porém, nem sempre os novos modelos compensam, Genisys é frio e vazio como uma máquina, rodada e calibrada para fazer-se vingar no seio da silly season. Prejudicado pela sua irresponsável campanha de marketing (que revelou mais do que devia sobre o seu enredo), Alan Taylor conduz um episódio esquecível, vivendo da sombra daquilo que foi em tempos a matriz actualizada do cinema de acção. Dispensável “reboot“!

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